quinta-feira, junho 29, 2006

Novas Cores

Belas cores existem. Sempre existiram. Sempre existirão.
Vai de nós as vermos!

("Vaca Paradisíaca", Cimpor - Cimentos de Portugal, Rossio)

Seria a última aula. A última caminhada obrigatória até ao campo dos saberes que me hospedou durante cinco anos. A última consulta oficial acerca do trabalho que venho desenvolvendo e que há bem pouco me decidi a completar com brilhantismo. As últimas palavras professorais. E, nessas, algum poder de abalar ou reforçar a motivação que se ergueu em mim, decidida a recolorir os cinzentos que antes me abateram. Reforçaram, creio; que a tela que eu levava toscamente pincelada bem merecia o crédito de que necessitam os aprendizes de uma qualquer arte.

(Manjerico num quiosque de venda de flores, Rossio)

No regresso, Alfama assava sardinhas e ensaiava o arraial nocturno a S. Pedro, fechando assim mais uma época de santos populares. De longe chegava música, entrecortada p'lo resto: "When the saints go marching in"...
Sorri-me, aliviada da tensão de tantos dias sem rumo. Inspirei o entardecer inteiro e respondi-me: "I wanna be in that number"!

[Yes, I'm coming Doc!]

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quarta-feira, junho 28, 2006

No Escuro (lyric)

Vi-te de longe no escuro
Onde já não te esperava encontrar.
Não era a noite, nem era o sono.
Nem falta de alma p'ra te procurar

Fui-me chegando mais perto,
devagarinho para não pisar
O coração, talvez o meu
Bata tão forte para te avisar

Há tantas vidas sigo o cheiro
Que me deixaste preso às mãos
E me sufoca ao meio da noite
Numa boa maldição

Há quantas vidas que eu desejo
Ter mais coragem que paixão,
E confessar tudo o que o tempo
Me guardou no coração

Não era falta de
Ou confiança p'ra me revelar,
Era só medo que as tuas águas
Fossem tão fundas que perdesse o pé

Já me perdi no passado
Por insistir em querer adivinhar
O que pensavas, 'que não abrias
Nenhuma porta para eu entrar

... ... ...

Talvez mate o destino de uma vez
Se um beijo escorregar, mesmo à traição
Quem sabe se no escuro a luz se acende, e então
Darás por todos os recados que mandei


("No Escuro", Luís Represas. In "A hora do lobo", 1998).

... Porque há canções que dizem tudo!

Despertei...

... Rasgavas da minha pele o manto de sono.

domingo, junho 25, 2006

Factura Bimestral

Há uns tempos dizia-me o Rui: - “Tens que criar um blog”.
Mas o que cheira a conselho sabe-me a xarope; e, para além disso, se havia tanto tempo depois, porquê fazê-lo agora, ainda para mais quando isso me fazia lembrar de tanta coisa escrita que, desorganizada, perdi?!
Até que, um dia, disse ele a frase mágica: - “Diz-me como queres, e eu faço!” (sempre referindo-se ao blog;-).
Eh lá!, se aquilo me “ofendeu”! Passou-me logo pela vista a imagem de uma dona de casa à espera que o esposo chegue para arranjar a ficha que deu o berro; ou (mudam-se os tempos, ficam as verdades;-) a menina que delega no seu mais-que-tudo o manusear da X-Box quando querem ver uns filmes.
- “Alto e pára o baile” – assim falou o orgulho ariano.
And I simply did it!!!
Isto foi há 2 mesitos... E há 59 posts atrás!
No momento em que o fiz, fi-lo por mim, que precisava.
Urgia depositar o meu capital afectivo em banco seguro (é, pois, uma “história” que, apenas lida do início para o fim, põe a nú pequenas pistas que vão dando conta do porquê de ter nascido, não mais se esgotando nisso).
E confortava-me o sigilo, a “marginalidade”, l’ermitage!.
Mas assim como nenhuma pérola poderá brilhar na escuridão da sua clausura (é cá coisa que eu disse há uns tempos), assim também o ser humano se não reconhece totalmente sem os demais. E, se nos primeiros tempos contei apenas com a paciência do Rui e do Carlos, a quem perguntei o básico, confessando só aos amigos próximos que este espaço existia: à "Tecas", ao JC (old on your breath… Aguarda-te um texto exclusivo, my dearest:-), foi, contudo, o presente mês de Junho, tão pobre a tantos níveis, o mais profíquo em visitas e comentários que me fizeram sorrir.
Por isso este post! E por isso, também, aumento de 2 para 10 o rol de blogs com os quais venho mantendo um contacto mais regular e actual, com a noção, porém, de que os não incluí a todos.
Assim, juntam-se à Glosa do Carlos, e aos Silêncios do Rui, a simpatia da Cláudia para quem Nada é o que parece ser, o ambiente familiar da casa do imenso Professor Murcão - com as melodiosas Notas Azuis de M., as Meiguices de Lobo do Joaquim, os aromas do Jardim da Aspásia, os Improvisos de Leonoretta, e um pouco de Loucura do António (sítios que visitei, e onde deixei recado por lá me sentir bem) e, de Barcelona, a minha amiga de sempre, a Cila, reaparece com um novo blog, o Achilipum. *
E o melhor disto tudo é que, como ainda somos tão poucos, foi possível fazer esta breve homenagem, assim, personalizadinha. :-)
Quando contar um ano, tentarei repeti-lo. Se tudo correr bem, com alguma dificuldade! ;-)

Bem hajam!

& tks MV, Polistes, Francis, Titá, Nes, Navel, Lobodomar, Luísa, Papoila...

Xutos


SAI DESSA!

Se acordaste moribundo
Se bateste lá no fundo
Diz que não ao que já foi
Trata a ferida que te doi
E faz a festa
Não há vida como esta!

Se andas caído num luto
Levanta-te e dá um chuto
Numa história que não presta
Não há vida como esta!

Se te esqueceste quem és
Pergunta-te outra vez
E descobre a tua força
Para dares enfim com os pés
Num passado que não presta
Não há vida como esta!

Se acordaste sob o mundo
Se tocaste lá no fundo
Diz que não ao que lá vai
E sai...

Sai dessa!
Sai dessa!
Sai dessa!
Vá lá... Sai!


Vive a vida que te resta!
Não há vida como esta!


Caso ainda não tenham ouvido este imperdível tema interpretado pelos Xutos e Pontapés, não é caso para espanto, pois não só eles nunca o cantaram, como desconhecerão, de todo, a sua existência ;-)

Aviso: o excesso de exposição a uma frequência de rádio de Música Antiga* pode resultar em perturbações reactivas deste tipo. Sobre isso (sobre tipos de música, não sobre perturbações;-) tenciono falar-vos oportunamente, se para tal tiver engenho e arte.

*Nota: leia-se Medieval, Renascentista e Barroca.

quinta-feira, junho 22, 2006

Dia Não

Foi chegada a hora de tomar a decisão: volto a adiar o culminar de um investimento académico que me é de importância vital e me permitirá corresponder a várias oportunidades que se me vêm abrindo, ou faço-me a ele com unhas e dentes, comprometendo-me, para tal, a pagar uma pipa de massa que, na realidade, não tenho nem prevejo vir a ter nos tempos próximos?

A coisa tá preta!
A par disto, e assumindo que opto pela loucura de andar com as coisas para a frente (é esse o meu tipo de loucura!) importa também especular sobre a probabilidade de conseguir concluir o trabalho a que me proponho no prazo estipulado, e que é, só para não variar, apertadíssimo.
Hoje, por ser quinta-feira, foi também dia de aula de seminário de monografia, pelo que exigentes contas me foram pedidas, e bem menos que suficientes por mim dadas.
Claro que aqui não figura a miríade de bizarros detalhes que compõem esta triste história. É só para dar uma pequena ideia. E para tornar aceitável que eu tenha andado numa ansiedade paranormal, a cada dia que passava, por cada vez mais se aproximar o dia que hoje passou.
Estará, talvez, melhor para quem se empoleire!?

Todavia, eis a boa notícia: Passou!!!... O diabo do dia finalmente chegou ao fim!
Fôra na ida como a quem espera a forca, mas eis que para cá tomei o pequeno-almoço, já à hora do lanche, e regressei, calmamente, misturada entre os turistas, fruindo do sol tardio, vagarosa e pensativa, aliviada de uma carga que só voltará depois.
Pairou-me uma moínha na cabeça, daquelas em que apetece um trapo molhado sobre a dita (uma "trapia", portanto). E de tão raro, tão raro, tão raro (o que me anda esta vida a fazer?!), estou certa de tratar-se de um caso para o Dr. House (!).

Olhei para o Martinho da Arcada e apeteceu-me sentar-me.
Consegue-se dali misturar a ilusão de um outro tempo, com um ruído de fundo internacional e mais umas cruas imagens de indigência urbana.
Bebi o primeiro café do dia, fumei o único cigarro, e percebi que fumar nem é tão bom quanto isso.

Ser um bom ser humano deveria chegar para se ser feliz!
Com a saúde do nosso lado, bem entendido. E amigos, claro, sempre; dos bons! Já agora, um pouco de inteligência e cultura, sff. E, se não fosse pedir muito, um quêzinho de bom aspecto, sendo porém certo que a melhor vem de dentro.
O dinheiro, esse jamais deveria contar para coisa alguma!
E, na verdade, para mim não conta. Ou conta hoje tanto quanto contava no tempo em que o tinha a sobejar.
Só que há dias em que o raio do assunto teima em aparecer-nos como sendo importante, e quase disso nos convence. A tal ponto, que nos arriscamos a não reparar em como a vida é mais do que isso!
E nós não queremos esse tipo de distracção!
De resto, manhã é um novo dia, e não há um dia igual ao outro.
Digo eu, que já vou percebendo destas coisas...

Vacas (Rossio): 1) "Perigo Vaca" - Smart; 2) "Vaquinha Piu-piu" - Campo Aves)

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quarta-feira, junho 21, 2006

Caminhar

Anda, vamos caminhar...
Seguindo o vento
Esquecendo o tempo.

Depois de te encontrar,
Partir é chegar
A cada momento.

(APC; fotos avulsas na net)

Conselho

Não cantes tua dor, tua amargura
A quem jamais sofreu um só momento
Que o venturoso, alegre na ventura
Não entende do triste o sofrimento

Qual brama luz, que insulta a noite escura
Sem ter da escuridão conhecimento,
O prazer nos insulta a desventura
Sem dela conhecer o sentimento

E nada, nada há de mais tirano
Que mais ofenda o coração humano
Do que não ser na dor compreendido!

Só sabe nossas mágoas entender,
Sentido pelo seu próprio sofrer,
Aquele que na vida houver sofrido

(Olympia Laires - minha bisavó paterna, 1924)

PS - Se alguém lhe tivesse dito que um dia esse seu conselho iria parar a um "blog"!...

segunda-feira, junho 19, 2006

Bom dia

- Bom dia, cadeira vazia!
- Bom dia... De novo! - respondeu a alma nela sentada.
- Ah, mas não, que há pouco falei foi com a almofada. Ou, melhor, com o "travesseiro" ;-)
- Pois sim; e pensas tu que assim te enganas?!...
- OK, desisto. Já vi que hoje não tás para brincadeiras! :-(
- Calma... Bem sabes que sou tão só o teu desejo; espécie de espelho do que queres.
- Sim, sim... Mas agora vou trabalhar, e não se fala mais nisso, pode ser?
- Poder pode, mas a questão é: conseguirás?
- (...!...) Ora bolas para ti! (isto é, para mim!).

sexta-feira, junho 16, 2006

Silêncio (lyric)


Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou


Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar
Às vezes sou também
Um sim alegre ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão


Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou é um grito
De um amor por acontecer


Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história daquilo que eu sou

("Silêncio e tanta gente" - Maria Guinot, vencedora do festival da canção de 1984)

The Call

Saberei explicar-te porque não o atendi, se tanto o esperei?
Se to explicar, saberás entendê-lo como espero?

"It's raining..."

Those were today's Dr. House lasts words

quarta-feira, junho 14, 2006

Chove

Adoro a chuva no Verão, assim como o sol de Inverno.
Vibro com a beleza das excepções; daquilo que nos traz surpresos por acontecer, que nos conquista sem aviso.
Hoje, após uma longa noite de fulminante trovoada, todo o horizonte era molhado.
Havia algo de raro na luminosidade do dia, na sua frescura, no cheiro das ruas.
Por diversas vezes levantei um pouco a saia comprida e rodada - como uma dama antiga faria para ocupar o seu coche - tentando que não se encharcasse nas poças do caminho.
Depois, rasando o solo, inevitavelmente o esvoaçante folho de tule acabaria por roçar nas pedras da calçada, arrastando consigo singelas gotículas de água e levando-as a tocar-me os tornozelos, num delicado e agradável arrepio…
Ocorreu-me: como sabe bem viver!
Quis partilhar. Soube com quem. Não tive como.
A saudade que tentava esconder surpreendeu o momento e com ele se fundiu.
Evoquei, fielmente, estas palavras:
- “Aqui chove. Uma chuva deleitosa. Como uma ordem das divindades a cair suavemente sobre os humanos. Uma ordem para amar”
- "Deixai que nos cubra. Que nos descubra!"

sábado, junho 10, 2006

Avassalador

Avassala-me o avesso das palavras,
que hoje prestam vassalagem ao silêncio;

Nele se interdizem e interditam,
interrogam e interferem,
interiormente... inteiramente.


(10/11/2005; dedicado.)

sábado, junho 03, 2006

The Boss

You sure have to listen to this... He became a country man! :-)

(Bruce Springsteen, "Pay me my money down" + "Erie Canal".
We Shall Overcome: The Seeger Sessions. Sony, 2006)

O raio da música teve o condão de me alegrar!
Se o mesmo acontecer convosco, já valeu a pena o post.

Vá… Toca a cantar, que a letra é bem simplezinha! :-)

quinta-feira, junho 01, 2006

La Vache Suisse

Não podem ver nada!...
(Posto de Turismo e CTT - Rue du Mont-Blanc, Genebra;
Ester Relvas*, 31-05-06)

*E parece que tamos quites, né? :-)

Aliás, como sempre!

E, por falar nisso:

(...)

Can you imagine us years from today,
Sharing a parkbench quietly?
How terribly strange to be seventy...

Old friends,
Memory brushes the same years,
Silently sharing the same fears.

(Old Friends - Simon & Garfunkel)

;-)

Mr. Clown

Hi Mr. Clown!
I want you to know that there's a photo of you at my blog.
Can't give you any money today, 'cose I don't have it for my own.
Have a nice day!

And then she fold the little piece of paper and put it into his silver can, while he was distracted with a tourist girl.
Totally portuguese flag dressed that day, he looked at her and offered another lolypop, which she gratefully refused this time.
"He'll certainly understand why I did it, when he goes and sees that was not a bill I put in there" - she thought.

...And she kept on walking...


1. Que tempos estes... Não anda o burro atrás da cenoura, põe-se esta atrás da vaca
(Coisas da"Santal", provavelmente)
2. E esta parece amuuuuuada :-)

3. Teatro D. Maria
4. Bebedouro para pássaros (contra-luz)

Hell, I'm exhausted!
And again, the very same thursday thing:
I'd say I could much use a "House" in the country!
(Oh me, oh my...)

Vacas (R. Augusta): 1) "CowDiwéo", Lyberdade; 2) "Vaca Portuguesa" - Flora)

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endoCRYno

Eu deveria ter prestado mais atenção às aulas de neurofisiologia.
Continuo a achar estranhíssima essa coisa de sermos subitamente acometidos de uma profunda vontade de chorar...
Se nada mudou desde ontem e pouco mudará amanhã, porque diabo isso me acontece hoje?

(E depois lá passa, essa coisa endógena entre o endócrino e o endoidócino ;-)

Parada no roxo*

(Praça do Rossio)
* (Vd. "Semáforo", 13 Maio)

Às Crianças

A todas elas...
(Março de 2006, aldeia nos arredores de Luanda; foto de Carlos Relvas)
Desde Fevereiro de 2007