este nada que é tudo.
segunda-feira, dezembro 25, 2006
Até amanhã, Camaradas!
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Foi uma experiência extremamente significativa e gratificante.
Peço que não se sintam traídos. É que eu sinto mesmo que assim deve ser. Preciso que o seja. Tanto como precisei escrever o que escrevi. Só assim faz sentido.
Mas, como alguém há pouco tempo me dizia (e tantos de vós disseram coisas tão bonitas, que não esqueço), não tem que ser um fim, pode ser apenas uma paragem. Pois bem... Apenas uma paragem seja, então; porém sem prazo ou destino marcados na linha do horizonte. Hoje o horizonte é branco como uma folha de papel onde já não sei escrever mais nada. Vamos a virar a página. Assim manda a alma. E ela é quem manda.
Um dia - se acaso houver o dia de voltar a esta forma de partilha - virei, certamente, buscar muitos de vós a quem hoje me enternece dedicar estas linhas, isso se ainda vos merecer tal.
Não deixo aqui a lista de pessoas que a minha memória abraça no momento em que escrevo este último post. Mas levo a certeza de que sabem quem são, porque lhes fui mostrando, ao meu jeito.
Amigos, ficam uns quantos, tão especiais!
De entre tanta gente interessante com que me cruzei.
Pela presença, pelas palavras, pelo respeito, pelo afecto...
E Bem-hajam!
Faço votos - não natalícios, mas vitalícios -
para que sejam muito felizes!
domingo, dezembro 24, 2006
O Pai Natal veio do Brasil :-)
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Once upon a time at Christmas
Estava frio e passeavam no parque.
Estava frio e não estava frio. Passeavam no parque, mas não estavam lá… Não apenas lá.
Se lhe tivessem dito, uns tempos antes, que havia de passear-se naquele parque, com aquele frio, ele rir-se-ia. E se imaginasse que ali estaria, caminhando lado a lado com ela, tão juntos e aconchegados que o frio não era frio, e o parque não era o parque, decerto que poria aquele seu ar sério e incorruptível, a fazer de conta que isso seria tão impossível quanto a razão disso o tentara convencer.
De resto, só nos filmes existem tolos que se passeiam num parque da cidade por entre a bruma gelada do Inverno. E apenas nesses, duas pessoas se querem ao ponto de estarem seja onde for sem sentirem frio algum.
Porém, ao contrário de outras vezes (tantas!...), ele não tinha ido tomar o mais que costumeiro café apressado sem nada para dizer, na sua presença ausente, apenas como forma de deixar passar o tempo ao lado das coisas sérias, suas, essenciais, esgotando-o num vazio viciante já sem início ou fim.
Ele estava ali… Com ela!
Passeavam no parque. Uniam certezas, igualavam sonhos, firmavam votos.
De vez em quando havia quem os observasse. Porque dava gosto vê-los. Eram bonitos. Eram diferentes. Diferentemente bonitos. Mas eles não viam quem os via, e parecia que seguiam um caminho novo, secreto, por entre uma miríade de trilhos alheios repassados.
À saída, deu-se pela falta do cartão do parque de estacionamento. Haviam-no perdido, e que maçada isso poderia ser, tendo em conta que era já a segunda vez que tal lhe acontecia, o que daria direito a uma multa elevada.
Por breves segundos, invadiu-lhe a memória o episódio anterior - passado num outro tempo, numa outra existência, e como um outro alguém vociferara amargamente: - “Era só o que me faltava agora, para piorar as coisas!”.
Francamente, não se conseguia lembrar o que de grave ocorrera então, que justificasse esse tal “piorar” que mencionara. Se calhar nem havia um motivo em concreto, apenas que a sua vida corria mal já antes disso, e até antes e antes e…
Mas lembrava-se dos esgares amuados, da troca de culpas e dos silêncios castigadores. Ah, sim!, disso lembrava-se bem, de habituais que se haviam tornado, já quase não ferindo.
Tudo isso era agora o seu passado. Um passado longo, contudo menor.
E não tinha. A multa seria partilhada, como tudo. E, como tudo também, seria um preço extremamente baixo para o que lhes havia sido permitido ganhar na lotaria da vida.
Toda essa certeza vinda dela o invadiu e, bem para lá da simplicidade do facto, sentiu, de uma forma muito forte, profunda e absoluta, algo que nunca antes sentira: que, acontecesse o que acontecesse, ela não o deixaria só.
E porque pensava nisso agora? Porque a sua memória continuava a trabalhar na lembrança daquele remoto dia (daquela remota vida) em que o cartão se perdera pela primeira vez: chegados a casa, haviam dado pela falta de um dos sacos algures, e ele voltara a sair, dessa vez sozinho, com a responsabilidade de o encontrar. Horas depois regressava... Sem saco, sem esperança e sem calor à chegada. Ainda os esgares amuados, a mesma troca de culpas, os silêncios castigadores…
Durante quanto tempo pode alguém sobreviver sem um abraço à sua espera, um afago e um sorriso, um tanto no olhar, um alguém inteiro que o aguarda, o deseja, o envolve?...
O seu nome!... Um dia notara que deixara de gostar de o ouvir. Tinha sido gasto. Há muito que era usado para pedidos e exigências, críticas e queixumes, ou gritado para o chamar para a mesa. Nunca para procurar o homem por detrás do nome. E assim se esvaziara o nome. E o homem.
Porém, quando o ouviu pela primeira vez da boca dela, fora como se lhe resgatasse a vida, ganhando finalmente sentido e de novo se tornando seu.
Ela não o chamava de longe. Ia sempre ao seu encontro. E por isso, de cada vez que a ouvia proferi-lo, ao olhá-la percebia ainda o brilho do olhar que o chamava.
Saíram do carro e dirigiram-se ao guiché de atendimento. Adiantando-se-lhe, ela explicou o sucedido à funcionária, que imediatamente lhe esticou um cartão, dizendo: - “Tiveram sorte… O cliente que foi pagar logo a seguir aos senhores, viu-o na máquina e veio aqui entregá-lo. Disse que isso já se tinha passado consigo, e que gostaria que tivessem feito o mesmo por ele”.
Ela sorriu-lhe. E nesse momento percebeu que ele a olhava já, sorrindo-lhe também, como que à espera que os sorrisos se encontrassem.
E amanhã seria um novo dia. Mais um dia inteirinho para viver!
E todos os dias eram novos desde há pouco tempo, depois de tanto tempo de dias velhos.
Subitamente, apercebeu-se de que ela não estava ali ao seu lado. Ainda pouco habituado a crer naquilo em que sempre descrera, sentiu um aperto no peito, como que um receio de que tudo fosse apenas sonhado, como sempre fora, e que nada nunca tivesse acontecido (pois, afinal – tantas vezes o dissera – “era impossível!”).
Mas os seus olhos negros logo a encontraram, junto à janela entreaberta, reflectindo a lua na sua nudez. Aproximou-se no silêncio, enlaçou-a uma outra primeira vez, e tomando em suas mãos todas as luas do seu corpo, trouxe-a de volta, para partilhar mais algumas das suas certezas.
domingo, dezembro 10, 2006
O Pai-Natal & a Coca-Cola - III Parte (última)

Temos, portanto, e de uma vez por todas, que o Pai Natal não teve origem numa campanha publicitária da Coca-Cola em 1930, mas numa lenda que se foi transformando e fortalecendo, culminando numa história de todos, caracterizada e ilustrada muito tempo antes.
A partir dos anos 30, o aperfeiçoamento das técnicas tipográficas permitiria que a figura do Pai Natal começasse a aparecer na imprensa, em cartazes publicitários e em postais ilustrados. Foi nessa altura que a Coca Cola Company decidiu integrá-lo numa grande campanha, que viria a fazer com que o generoso St. Nick se tornasse famoso em alguns locais onde era ainda pouco familiar. E é assim que Haddon Sundblom [4], um ilustrador com créditos na indústria publicitária, o coloca, regozijado, com um copo de Coca-Cola na mão [5]. Consta que começou por se inspirar num seu vizinho de Chicago, de nome Lou Prentiss, para conceber o rosto do Pai Natal, e que, após a morte desse, se desenharia a si mesmo com a ajuda de um espelho. Estávamos em 1931 (há 75 anos), embora já no ano anterior o Pai Natal tivesse surgido num anúncio dessa marca, mas que passou um pouco despercebido [6].
É uma tentação pensarmos que à Coca-Cola daria imenso jeito “pintá-lo” com as suas cores, claro. Acontece, porém, que a imagem do generoso velhinho, que já começava a vingar, era exactamente essa (e quiça tenha residido exactamente aí a inspiração para a campanha), pelo que à empresa bastou rentabilizá-la e, já agora, perpetuá-la.
Aliás, não foi então a Coca-Cola a única marca a pedir a ajuda do Pai Natal para as suas campanhas. Pelo contrário, a moda terá sido aproveitada para vender outros produtos, desde automóveis a cigarros, passando por um pouco de tudo, tal como canetas, brinquedos, lanternas, escovas, meias, relógios, cobertores, combustível, café, papas de aveia, presunto, etc. De referir que a Michelin utilizou o Pai Natal na sua publicidade, em 1919, e a Colgate em 1920 (dez anos antes da Coca-Cola). E em todas essas campanhas o dito velhinho das barbas envergava a fatiota vermelha que hoje lhe conhecemos [7]. Nenhuma se revelaria, no entanto, tão carismática quanto a da Coca-cola.

Sem dúvida que a Coca-Cola ajudou o Pai Natal a alcançar a fama em países que o não conheciam. Em Portugal, há uma geração atrás era o Menino Jesus que trazia os brinquedos para as crianças, e hoje o Natal não é o mesmo se não houver um velhinho vestido de vermelho e com barbas brancas.
Infelizmente, a figura do Pai Natal afastou-se, gradualmente, da função moral e espiritual que a originou, tendo sido apropriada pelo comércio e estando, por isso, em muito associada ao capitalismo. Por outro lado, foi a laicização do Pai Natal pela sociedade moderna que lhe permitiu sobreviver. E, apesar de tudo, a sua imagem conterá sempre algum símbolismo partilhado, veiculando uma mensagem de alegria e valores cristãos como o respeito, a generosidade e o amor.
Por isso, em qualquer país, com qualquer religião, com ou sem Coca-Cola, com mais ou menos poder económico, se procurarmos bem nos bolsos, pode ser que tenhamos três “bolinhas de ouro” (vd. I Parte) para lançar pela “chaminé” de quem precise, não esquecendo que aquilo que para quem dá pode parecer pouco, para quem recebe poderá ser suficiente, e que nos podemos desfazer, quase sem notar, de muita coisa que para outros é vital. Acima de tudo, se tiver essas prendas para dar, siga as três bolinhas de ouro:
● Faça-o sempre que puder e não apenas no Natal. Para quem nada tem, o sofrimento é o mesmo durante todos os dias do ano;
● Faça-o de alma e coração, pelos outros. Que interessa se ninguém vai poder agradecer-lhe? O anonimato dá-nos a certeza de que fazer o bem é um meio e um fim em si mesmo.
[2] Hoje, o estimulante foi alterado para cafeína, mas o sabor ainda é feito através de noz de cola e continua-se a questionar sobre a inclusão da folha de coca, que, por si, não é considerada nociva à saúde e não possui qualquer propriedade alucinogénia. (Wikipedia)
[3] Só em Março de 1894, a Coca-Cola foi vendida em garrafas, pese embora essas, criadas pelo artesão Earl Dean e com uma capacidade de 182 gr, fossem muito diferentes das que hoje conhecemos. Quanto às primeiras latas de alumínio, essas não surgiriam antes de 1955.Sobre a história desta Companhia e muito mais, consulte-se a sua página oficial.
[4] Conta-se a história que Sundblom terá tido por modelo o vendedor aposentado Lou Prentiss, sei vizinho, sendo que, depois do seu falecimento, terá oferecido, à personagem do Pai Natal, o seu próprio rosto.
[5] Haddon Sundblom (1899-1976). Imagem no final.
[6] O anúncio anterior (Saturday Evening Post, 1930), bem como os posteriores, estão disponíveis no site Jipemania, cuja consulta se sugere, sobretudo pela vasta colecção de imagens. Alguns anúncios da Coca-cola com pai natal poderão ser igualmente encontrados na página oficial da Coca-Cola. Entretanto, todos os desenhos originalmente criados por Haddon Sundblom para os anúncios da Cola-Cola, entre 1931 e 1964, encontram-se reunidos no livro "Dream of Santa".
[7] Em Jipemania, podemos ver (e vale bem a pena) cerca de três dezenas de exemplos publicitários com o pai natal vestido de vermelho, ainda antes do aparecimento da coca-cola. São ainda conhecidas propagandas anteriores a outros produtos, com recurso à figura do Pai Natal, contudo a preto e branco. A mais antiga identificada neste site, data de 1885 e promove sabão.
[9] "A Coca-Cola é a bebida mais vendida na maioria dos países, mas não em todos. Lugares como a Escócia, onde a bebida local Irn Bru é a líder em vendas, e em Québec e Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá, onde a Pepsi é a líder do mercado, fogem dessa regra. A Coca também é menos popular em países do Oriente Médio e Ásia, como os territórios palestinos e a Índia — na maioria devido ao sentimento anti-ocidental. Mecca-Cola, uma marca "islamicamente correta", virou sucesso no Oriente Médio há poucos anos." (cit. Wikipédia).
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Extra-extra!!!...
O Pai-Natal & a Coca-Cola - II Parte
A personagem do Pai Natal é, pois, inspirada em São Nicolau. Contudo, não havendo uma descrição física fidedigna desse Santo, os traços característicos do nosso Pai Natal de hoje tiveram necessariamente origem diferente.Na verdade, ele já se apresentou de várias formas (a fumar um cachimbo de barro, a beber vinho...) e vestiu diversos modelos (desde o castanho-serapilheira dos frades, a cores mais garridas; na cabeça usava ora um barrete, ora uma coroa de azevinho).
A ideia de um velhinho barrigudo, de barbas brancas e bochechas rosadas[1], viajando num trenó puxado por oito renas foi introduzida por Clement Clarke Moore, ministro episcopal[2], num poema datado de 1822 e entitulado “An account of a visit from Saint Nicholas” (um relato da visita de S. Nicolau). Isto, portanto, há mais de 180 anos.
'Twas the night before Christmas, when all through the house
Not a creature was stirring, not even a mouse;
The stockings were hung by the chimney with care,
In hopes that St. Nicholas soon would be there. [3]
Esta história, na qual aparecem também representados a sua oficina no Pólo Norte, bem como os seus ajudantes e a sua esposa, a Mãe Natal, foi incluída na edição de Natal do “Harper’s Weekly” desse mesmo ano.
É possível que o acesso a ela seja hoje extremamente difícil, possivelmente apenas limitado a algumas das melhores bibliotecas (informação que até à data da elaboração deste artigo não me foi possível apurar). Todavia, quem quiser apreciar algumas ilustrações do Pai Natal desde Nast até ao primeiro anúncio da Coca-Cola onde ele figura, poderá fazê-lo neste interessantíssimo site (Jipemania), ficando aqui alguns exemplos:
Sendo verdade que podemos encontrar algumas figuras do Pai Natal vestido de cores variadas ainda no início do século XX, a imagem do velhinho de barbas brancas e bochechas rosadas, vestindo uma fatiota vermelha e carregando um saco já se tornara aparentemente consensual por volta dos ano 20, encontrando-se descrita no The New York Times de 27 de Novembro de 1927 desta forma [8]:
"A standardized Santa Claus appears to New York children. Height, weight, stature are almost exactly standardized, as are the red garments, the hood and the white whiskers. The pack full of toys, ruddy cheeks and nose, bushy eyebrows and a jolly, paunchy effect are also inevitable parts of the requisite make-up".
Em 1939, Robert L. May, colaborador da cadeia de lojas Montgomery, com sede em Chicago, cria uma história de Natal para ser oferecida aos clientes, onde surge, pela primeira vez, Rudolph uma jovem rena desprezada pelas restantes oito, devido ao seu nariz grande, vermelho e reluzente, mas que acaba por ser a salvação do Pai Natal numa noite de muito nevoeiro, ao iluminar-lhe o caminho [9]. Tempos depois, o cunhado de May, o compositor Johnny Marks, concebe a letra e a música para uma canção, e a versão musical de "Rudolph the Red-Nosed Reindeer" foi finalmente gravada por Gene Autry em 1949 [10], tendo vendido, só nesse ano, 2 milhões de cópias, e transformando-se numa das músicas de Natal mais escutadas de todos os tempos. Em 1964, a história é levada à televisão.
[1] Embora se tratasse de um elfo e fumasse cachimbo.[2] Clement Clarke Moore (1779-1863). Filho do Reverendo Benjamin Moore, presidente da actual Universidade da Columbia e Bispo Episcopal de New York. Imagem no final.[3] O poema, cujo início se inclui, correu o mundo, tendo sido traduzido em diversas línguas. Poderá ser lido, na sua versão original e integral, por exemplo aqui.
[7] Em 1870, Nast fez ainda um segundo livro ilustrado denominado “The night before Christmas” (A noite antes do Natal).[8] Twitchell, James B. Twenty Ads That Shook the World. New York: Crown Publishers, 2000. ISBN 0-609-60563-1 (pp. 102-107).
[9] Caderneta para colorir das lojas Montgomery Ward company, com a história de L. May. Imagem no final.
terça-feira, dezembro 05, 2006
A mensagem
Escrevo algo que precisaria dizer mas que não posso enviar.
No fim, é só premir uma tecla, e ele guarda-me o segredo sem pedir satisfações.
Mas sabem quando premimos a tecla errada e…?
Pois é!...
sábado, dezembro 02, 2006
O Pai-Natal & a Coca-Cola (preâmbulo)
A COCA-COLA NÃO INVENTOU O PAI NATAL!
Todos os anos por esta altura há sempre um indivíduo que se sai com a bizarra “referência cultural” de que a figura do Pai Natal é uma invenção da empresa Coca-cola. E o pior, é que acaba por contaminar outras tantas almas de saber feito de ouvido. A trilogia de posts que se segue [onde é que eu já vi isto?] é uma humilde tentativa de fazer perceber, de uma vez por todas, aos resistentes, que tal assim não é, e nem sequer poderia ser.
Cá vai, mas será looongo:
O Pai-Natal & a Coca-Cola - I Parte
Quem é, então, o Pai Natal? É um senhor já velhinho, gorducho, de faces rosadas, com uma grande barba branca, que enverga um fato vermelho e conduz pelos céus um trenó puxado por renas. Ao que parece, na noite de Natal ele desce pela chaminé das casas, deixando presentes nas árvores enfeitadas, nas meias ou nos sapatinhos das crianças bem comportadas.A lenda do Pai Natal é tão antiga, que as histórias sobre a origem deste velhote bonacheirão e simpático se entrecruzam e confundem. Uma delas defende que este vive na banquisa da Gronelândia, a maior ilha do mundo, mais concretamente em Kon Gensgaarden (“Quinta do Rei”), escondido num vale secreto. Já para os finlandeses, ele habita em Korvatunturi ("Montanha da Orelha"), em Savukoski, na Lapónia, perto da fronteira Russa. Ambas as “terras do Pai Natal” são visitadas anualmente por milhões de admiradores, na sua maioria turistas.
Esta imagem, que nos é hoje tão familiar, terá sido introduzida nos Estados Unidos pela Holanda, no século XVII e em Inglaterra pela Alemanha, a meio do século XIX. Todavia, a ideia de que as suas raízes remontam ao antigo folclore Europeu parece reunir consenso.
Por volta do ano 280 (Séc. III), nasceu em Patara, uma cidade portuária, aquele que viria a ser mais tarde Bispo de Myra (região da Lycia, sudoeste da Ásia Menor), na actual cidade de Demre, que se situa na costa mediterrânea da Turquia[1].
Seus pais, devotos cristãos de nome Epifânio e Joana, deram-lhe o nome de Nicolau, que significa “pessoa virtuosa”. E, efectivamente, cedo deu sinais da sua bondade. A sua fama advém da generosidade que revelou para com os mais desvalidos, em particular crianças, que protegia com toda a dedicação. Consta também que viria a ser o primeiro eclesiástico a preocupar-se com a educação e a moral, tanto das crianças como das suas mães.
O símbolo de S. Nicolau são três bolas de ouro, devido a uma das histórias mais conhecidas sobre a sua generosidade, que nos conta o seguinte: certa vez, um homem muito pobre, ao ver que nenhuma das suas três filhas poderia ter um dote e assim vir a casar, acabou decidido a encaminhá-las para uma vida de prostituição. Sabendo disso, Nicolau deitou um saco de ouro pela chaminé, para que a filha mais velha pudesse ter o seu dote, repetindo esse acto sempre que uma das outras filhas atingia idade casadoira. Ora, sendo nas chaminés que se costumava colocar as meias a secar (nomeadamente na Suécia e na Noruega), este poderá ter sido o início da tradição de as crianças colocarem aí as suas meias, à espera de presentes.
Os pais de Nicolau terão falecido cedo. Por recomendação de um tio que o aconselhou a visitar a Terra Santa, Nicolau decidiu viajar até à Palestina, rumando depois ao Egipto. Durante a viagem, ter-se-á dado uma grande tempestade que, segundo a lenda, acalmou milagrosamente quando Nicolau começou a rezar com toda a sua fé, episódio que o transformou no padroeiro dos marinheiros e pescadores. Segundo algumas versões, veio de lá formado bispo.
Conta-se ainda que, quando o anterior bispo morreu, os anciães da cidade não conseguiam decidir quem lhe deveria suceder, e, nessa noite, o mais velho deles sonhou que Deus lhe sugerira que o primeiro homem a entrar na igreja no dia seguinte fosse o escolhido para tal missão. Uma vez que Nicolau, sacerdote cristão ortodoxo, tinha já o hábito de se levantar cedo para ir rezar, foi ele o primeiro homem a entrar na igreja e logo investido como Bispo de Myra.
É também possível que tenha estado preso, no reinado de Diocleciano, durante a perseguição aos cristãos, até que Constantino o Grande, assumindo o império romano, ordenasse a libertação de vários prisioneiros religiosos nos quais ele se encontrava, permitindo-lhe voltar a ser bispo de Myra até falecer, a 6 de Dezembro de 343.
Outra versão, pelo contrário, diz-nos que, no regresso da sua grande viagem, viveu na total pobreza, depois de já ter doado toda a sua herança aos carenciados.
Certo é que, após a sua morte, terá sido santificado e designado São Nicolau, padroeiro das raparigas solteiras, dos pescadores, dos estudantes e dos prisioneiros, de entre outros. Dos seus milagres destacam-se, para além do já referido episódio da tempestade, o ter trazido à vida uma criança já morta e ter salvo um recluso condenado à execução.
Padroeiro da Rússia - onde este “avô-gelo” (Ded Moroz) é apelidado de “Milagreiro” – e ainda da Grécia e da Noruega, S. Nicolau é um dos santos mais populares entre os cristãos (o povo Turco nutre-lhe particular afeição), e centenas de igrejas por toda a Europa receberam o seu nome, pese embora alguns episódios da sua vida ofereçam muitas dúvidas, como vimos.
É na França do início do século XIV que ele é pela primeira vez associado ao acto das ofertas, determinando ou fortalecendo o mito do Santo presenteiro que é hoje o Pai Natal. Nalguns locais, acreditava-se que este se deslocava num trenó puxado por renas (transporte usado na Escandinávia); noutros a figura do velhinho de longas barbas brancas aparecia num burrico, transportando um saco cheio de presentes.
A transformação de São Nicolau em Pai Natal teve a sua origem mais remota na Alemanha, no seio das igrejas protestantes. Desde meados do século XII, que de distribuiam presentes em nome de S. Nicolau na noite de 5 para 6 de Dezembro, mas no período da contra-reforma, materializada pelo concílio de Trento (1545-1563), a função de distribuir as prendas foi atribuída ao Menino Jesus e transferida para a noite do seu nascimento: de 24 para 25 de Dezembro. Assim, quando a tradição de S. Nicolau prevaleceu, ficou associada ao próprio Natal. Curiosamente, o germanismo Khistkindel (Menino Jesus) terá evoluído até se transformar em Riss Kringle, denominação alemã de Pai Natal.
Em Inglaterra as mudanças surgem no reinado de Henrique VIII (séc. XVI), quando o monarca entra em choque com o Papa, na sequência da sua intenção em casar-se uma segunda vez. Rompidas as relações religiosas com Roma, o país passou a ter costumes distintos daqueles praticados no resto do mundo cristão, o que incluiu a transição das comemorações de 6 de Dezembro para o dia da consoada.
Na Holanda do século XIII, criou-se, nas escolas conventuais, o hábito de um monge - disfarçado, de modo a imitar o venerável bispo - distribuir prémios aos bons alunos. Mais tarde, pelos séculos XVI-XVII, tal ritual tornar-se-ia comum a todos os lares, mas associado à descida do Pai Natal pelas chaminés das habitações, talvez porque na lenda de S. Nicolau algo o sugere, como dissémos. A tradição espalhou-se um pouco por toda a Europa e foi mantida na Holanda pelo menos até ao século XVII, altura em que foi levada para a América do Norte pelos imigrantes, quando esses fundaram a Nova Amsterdão, em 1621.
É em 1773, quando um jornal publica um artigo sobre um encontro de famílias holandesas em honra do aniversário da morte de São Nicolau, que este surge na cultura popular americana. Refira-se que a forma abreviada Santa Claus corresponde à contracção de Sanctus Nicholaus.
Mais tarde, num artigo de 1809, Washington Irving, em Nova Iorque, descreve a chegada, a cavalo, do bispo bonancheirão e bondoso, a cada véspera do dia de São Nicolau, 6 de Dezembro. Entretanto os ingleses conquistaram esta região, dando-lhe o nome de Nova Iorque, e o ritual de festejo do dia dos presentes também se estabeleceu a 25 de Dezembro.
Em 1969, visto a vida deste Santo se encontrar escassamente documentada, o Papa Paulo VI ordenou que a festa de São Nicolau fosse retirada do calendário oficial Católico Romano.
[1] Sugere-se o programa “The real face of Santa”, da cadeia de televisão britânica BBC.
O QUE SE SEGUE:
II - O Pai Natal de Hoje
III - Onde entra a Coca-Cola? + epílogo.















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