quarta-feira, maio 03, 2006

Ode

Palavras que se calam para falar
Num silêncio musical que apetece
Uma dúvida abafada que se agita:
- Onde irá dar esse mar?...
Emoção que transtorna e transfigura
Essa pura timidez que acontece
Pedaços do melhor de cada um
Decerto que é juízo e não loucura!
Há segredos na penumbra sigilosa
Promessas privadas que se (a)guardam
Cartas que renascem se relidas
Imagens perseguidas, reinventadas
Culpas que se negam, que se extinguem
Por um sorriso que se quer ao infinito
Pelas magias que se querem resguardadas.
Espera que envolve, e revolve
Numa psicose de vida que não se resolve
É medo que dói e permanece
De um conhecido que se desconhece
Tanto “percebido... e recebido”...
Num hoje legado de um tempo perdido
Sinais que se cruzam no escuro
Crianças que brincam num tempo maduro
Luas de solidão que se abraçam
E novos sentidos se traçam
Olhares sufocam de ansiedade,
Focam um esboço de felicidade.
Um “tu” que desliza, traiçoeiro
Fica marcado a fogo (é o primeiro)
E o nome chamado para dentro da voz
E as outras pessoas? Nenhumas, só nós.
Há um “obrigado” que alguém confessa
Adeus, “até breve”, proferido à pressa
E o toque vital que desperta os dias
Que buscam um fim para a saudade
No vento da memória
No sem tempo de uma história
Em meia hora de eternidade.

(APC, 07/11/2006 - dedicado)

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