domingo, abril 30, 2006

Coisas boas a dois

No seu blog “Um Lugar de Silêncio", o meu amigo Rui lançou, a 26 de Janeiro, um desafio interactivo interessante: digam-me coisas simples e boas de se fazer a dois!
Dos muitos e pertinentes contributos, alguns mereceram-me um particular sorriso: deitar no chão a ver a lua, contando segredos; partilhar o último cigarro; dançar abraçado, de costas, com a mão dele na barriga…
Todavia, no fim de tudo, agora penso: haverá melhor do que partilhar um sonho em forma de convite? Ou aceitar um convite em forma de sonho?...

Facto é que achei a ideia tão simpática, que não resisto a plagiar-lhe o repto. E começo por copiar aquele que foi o meu comentário ao seu post:


Falta o raio da luz de repente, e lá se vão horas de empenho em frente ao PC… E o trabalho era “para ontem”! Haverá pior, naquele momento???... E eis que ele nos surpreende, com uma vela a iluminar-lhe o rosto, e nos diz: “Amo-te”.
Ah, sim… A vida tem coisas boas a dois!...

- Trocar, com prazer, o jantar queimado por biscoitos com champanhe;
- Curtir a gripe (e o recobro!) debaixo dos lençóis, experimentando todo o tipo de chá, com mel e aguardente, ou nada disso;
- Afugentar-lhe os fantasmas em noite de bruxas;
- Provar o salgado das suas lágrimas;
- Desenhar um segredo no seu peito;
- Assistir ao nascer do dia, de mão dada e em silêncio, do alto da Serra da Arrábida;
- Pescar o mesmo peixe, cantar a mesma canção, dormir o mesmo sono;
- Usar a sua camisa e emprestar-lhe o creme de rosto;
- Cozer-lhe o botão daquela camisa que ele vai ter que vestir nesse dia importante, com o prazer de um gesto cúmplice, e sem qualquer pudor pós-moderno;
- Fazer-lhe uma maldade e fugir…;
- Jogar um xadrez sem regras… E sem fim.

E, claro (!)… Um banho em chá de tília, com cascas de laranja, pau de canela e uma flor de baunilha, tomado às escuras, em noite de trovoada, ao som da poderosa melodia de Wagner ou de Strauss…

"Also Sprach Zarathustra", Richard Strauss

Fazer-lhe um espectáculo ousado, sobre o capot do jipe, debaixo de chuva intensa...

Nota: No século 19, o compositor, poeta e dramaturgo Richard Wagner inventou um novo estilo de ópera. Ao lado do húngaro Franz Liszt, promoveu a chamada "música do futuro", que influenciou músicos de outras gerações, como Richard Strauss, maior nome da música alemã no início do século 20. Strauss compôs a obra "Also Sprach Zarathustra", baseada na obra homônima do filósofo Nietzsche. Na década de 1960, os acordes dessa composição ficaram populares por se tratarem do tema de abertura do filme "2001: Uma Odisseia no Espaço", do cineasta inglês Stanley Kubrick.

sábado, abril 29, 2006

Ageism e Auto-estima nos Idosos

Pensada no final do ano lectivo anterior e reavivada apenas no passado dia 12, a minha monografia de licenciatura começa agora a dar os seus passinhos, sendo já possível explicar, esquematicamente, quais os objectivos em causa.
Assente no conceito de "Ageism" (i.e., o preconceito face à idade), desta feita relativamente à velhice, pretende-se apurar:

A) Ageism - Fraboni Scale of Ageism (FSA):
1. Até que ponto está presente nos cuidadores de idosos?
2. Até que ponto está presente próprios idosos?
3. Até que ponto é sentido pelos idosos?

B) Auto-estima - Southampton Self-Esteem and Sources of Self-Esteem Scale (SSESS):
4. Que correlações podem ser estabelecidas entre o preconceito existente nos idosos e por esses percebido (1 e 3) e os níveis de auto-estima que apresentam?

O estudo será levado a efeito em duas residências de 3ª idade, vocacionados para diferentes classes económicas e culturais, prevendo-se a comparação de resultados entre ambas. A amostra é composta por 30 idosos e 20 técnicos por lar, num total de 100 indivíduos.
A aplicação dos questionários decorre já num dos lares seleccionados, actividade que tem permitido aprender muito, do ponto de vista cognitivo e emocional.

(Fonte: Farmácia Saúde - Glaxo Smith Kline)

Poema

O poema é o meio-segredo
A ponte entre a coragem e o medo
É a forma mais sincera de esconder
O que não queremos que fique por se saber
E a maneira mais discreta de exibir
O que queremos que fique por descobrir

(APC, Junho, 2000)

"A poesia é ao mesmo tempo um esconderijo e um altifalante" - Nadine Gordimer

One Love, one Heart, one Soul...

Estreei-me hoje no circuito de manutenção de um parque recentemente criado aqui mesmo ao lado de casa.
Tinha que ser, porque se exigia o esgotamento das forças físicas para que as psíquicas pudessem reinar um pouco.
Isto de se ser ariano é tramado… Acção e pensamento numa luta constante, sob as ordens de Marte, esse deus da guerra que se digladia por amor (e Vénus sempre tão longe!...).
Estava um dia “fenomenal”!, sendo que todos os momentos são fenómenos bons de se apreciar, bastando que haja saúde, afecto e esperança...
... E um sorriso, manifesto ou latente.
Por fim, os altifalantes faziam soar a música de Bob Marley:



One love
One heart
Let’s get together
And feel allright


(sing along with me! :-)



Na verdade, não queremos que o tempo volte atrás (“o tempo é o grande filtro da qualidade” – dizia-me um amigo ainda há pouco); mas que a vida possa seguir em frente com mais determinação e prazer do que no passado.
Este o pensamento que se infiltrou por mim enquanto corria... A chamar a acção; a pedir acções...

(act along with me! ;-)

Regresso ao ISPA (após longa ausência)

… E na esplanada do Jardim do Tabaco o dia vibrava de azul.

(27/04/2006)

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Da Preliminariedade do Medo

No início de uma importante conquista descobrimos o medo. Podemos chamar muitos nomes ao nervosismo, à ansiedade, à hesitação, à dúvida que nos corrói e dilacera, à impaciência que nos mói e desespera, ao calafrio que nos provoca aquilo que desejamos, mas, ao fim e ao cabo, serão tudo variantes do medo.
Quanto mais desejada, tanto mais temida será a descoberta que se anuncia. Receamos deixá-la escapar-se, sufocar com ela, arriscar demais, fracassar de todo, enfim!...
Podem ser tantos e tamanhos os perigos iminentes, que é de se estranhar se acaso não há medo... Não havendo, poderá haver realmente desejo?
Nietzsche disse que "a essência da felicidade é não ter medo". Todavia, creio poder tratar-se aqui de um não ter medo depois do medo; não ter medo de o (não) vencer. Não permitir que o medo paralisante se imponha ao medo suscitante, não lhe sucumbir.
Porque a ausência completa do medo, quanto muito poderá ser a essência da descontracção (mas haverá alguém que se apaixone descontraidamente?) e da inconsciência (e a que saberia o amor sem a consciência de se amar?)… Em suma, uma displicência que não vai de acordo com a vontade de conquista de coisa alguma.
A felicidade activa e dinâmica, aquela que se almeja e persegue, talvez surja exactamente com esse “medo bom”, se perpetue na batalha que com ele se trava e se comece a extinguir após a sua vitória.
Daí que “o pior medo, é o medo de ter medo” (Franklin Roosevelt”).
Loucos os que o não têm, heróis os que o enfrentam!

PS – Há muito que não tinha medo. Hoje, antes de mais, estou feliz por tê-lo.

(APC, 25/04/2006)

"Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência de medo"
Mark Twain

25 de Abril, um dia de Liberdade

Aceito a ironia da data, crio um blog, deixo de fumar.
E o que há de camuflado nisto tudo, não é pouco.


Nota:
Apesar de ter surgido às quatro e meia da manhã do dia 25, a primeira versão do Camuflagens (http://camuflagens-camuflagens.blogspot.com
) acabou perdendo a ligação ao servidor, sendo que navega agora solta p'lo ciber-espaço, ainda possível de aceder, mas impossível de utilizar.
Assim sendo, acabadinho de estrear este meu novo camuflado, começarei por postar a mensagem inaugural.

Desde Fevereiro de 2007