sábado, abril 29, 2006

Da Preliminariedade do Medo

No início de uma importante conquista descobrimos o medo. Podemos chamar muitos nomes ao nervosismo, à ansiedade, à hesitação, à dúvida que nos corrói e dilacera, à impaciência que nos mói e desespera, ao calafrio que nos provoca aquilo que desejamos, mas, ao fim e ao cabo, serão tudo variantes do medo.
Quanto mais desejada, tanto mais temida será a descoberta que se anuncia. Receamos deixá-la escapar-se, sufocar com ela, arriscar demais, fracassar de todo, enfim!...
Podem ser tantos e tamanhos os perigos iminentes, que é de se estranhar se acaso não há medo... Não havendo, poderá haver realmente desejo?
Nietzsche disse que "a essência da felicidade é não ter medo". Todavia, creio poder tratar-se aqui de um não ter medo depois do medo; não ter medo de o (não) vencer. Não permitir que o medo paralisante se imponha ao medo suscitante, não lhe sucumbir.
Porque a ausência completa do medo, quanto muito poderá ser a essência da descontracção (mas haverá alguém que se apaixone descontraidamente?) e da inconsciência (e a que saberia o amor sem a consciência de se amar?)… Em suma, uma displicência que não vai de acordo com a vontade de conquista de coisa alguma.
A felicidade activa e dinâmica, aquela que se almeja e persegue, talvez surja exactamente com esse “medo bom”, se perpetue na batalha que com ele se trava e se comece a extinguir após a sua vitória.
Daí que “o pior medo, é o medo de ter medo” (Franklin Roosevelt”).
Loucos os que o não têm, heróis os que o enfrentam!

PS – Há muito que não tinha medo. Hoje, antes de mais, estou feliz por tê-lo.

(APC, 25/04/2006)

"Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência de medo"
Mark Twain

3 Comments:

Blogger Carlos Sampaio said...

Expectativa. Antes de abrir uma “nova” porta. No momento em que a mão faz rodar a maçaneta, sobe a adrenalina. Uma pontinha de insegurança, claro, mas daquela que tempera e não destrói. Quando, apesar de tudo, não se retira a mão e se empurra a porta, isso é coragem. Não a determinação cega e insensível. Antes uma determinação atenta, delicada e pré-disposta a saborear, a gozar e a sofrer. Chamas-lhe medo? Que seja.

“ De qualquer forma, chamarei ao medo mania e terei sede ao acabar”

In “O Livro da Expectativa”

abril 29, 2006 11:06 da manhã  
Blogger APC said...

Oba! O "sinhôr inginheiru" que salvou o meu blog da morte por doença rara (Dr. House himself!;-) a abrir as hostilidades... Quanta honra!:-)
Pois... Não lhe chames medo, que isso num morcõe até fica mal ;-)
But still, d'ont forget this:
Não somos completamente indefesos, exactamente porque podemos sentir o perigo; e assim corresponder-lhe com fight or flight, a bem da sobrevivência.

abril 30, 2006 11:35 da tarde  
Blogger Rui Barroso said...

E se alguém tiver medo de não ter medo?

;)
*

maio 01, 2006 3:48 da manhã  

Publicar um comentário

<< Home

Desde Fevereiro de 2007