sábado, dezembro 22, 2007

Tudo isto existe. Tudo isto é triste. Tudo isto é fado...


É Lisboa velha, velhíssima!...
A Mouraria, da velha Rua da Palma, que Amália ainda terá conhecido caída da vida que lhe cantou.
Oito e quinze. Um ourives varre a soleira da sua loja. Traz em si a neo-psicose das pessoas que se acompanham a sós, e resmunga consigo mesmo:
- Juntam-se aqui aos oito, e dormem uns por cima dos outros!...
Além, o mendigo de sempre, perna pela metade e longas barbas cinzentas. Parece despertar à voz tirana, olhando de soslaio, mas logo se abstrai.
Depois, silêncio imenso e os meus passos na calçada.
As ruas molhadas da água de varrer o lixo…
Olha, a Ginginha! Lá dentro, o chefe do tasco com outro alguém de ar manhoso.
E até que ia uma "com elas"... Para dar de beber à dor, já dizia a Mariquinhas.
Ao fundo, escadinhas íngremes, infinitas, sobem ao Castelo.
Duas vizinhas param à conversa, no meio da rua. Trajam velhas roupas de lã, e julgo ver, de relance, no peito de uma delas, um alfinete ainda do tempo de uma Lisboa menina e moça. É possível que traga a cidade ao peito, sim… Que há saudades que parece que perdoam o presente.
No café, os bons dias e a mesa do canto, junto à janela.
Uma mulher comenta alto e bom som:
- Constipou-se. Aquilo virou pneumonia. Depois perdeu sangue e mais sangue. Ainda levou litros dele. Não comia. Meteram-lhe tubos pelo estômago. O meu marido, que nunca teve nada - sempre bem, sempre bem, sempre bem! Foi de repente. A minha companhia...
Desvio o olhar para uma Lisboa sem rumo.
Olhai, senhores!... Uma cidade esquecida, entre os dias de hoje e os de ontem, de há muito tempo.
Não, não cheira bem! E não há mais craveiros nas águas furtadas. Nem lojas com vestidos cor-de-rosa (só grandes armazéns chineses). E, decididamente, a Rua do Capelão já não é juncada de rosmaninho!
É Lisboa velha, feia e suja… Ponto de indigência, pobreza extrema, tipos perigosos.
Regresso, já é noite, pelo Martim Moniz das rusgas, dos negócios escuros, d'almas vencidas!
No topo, brilham as luzes do Hotel Mundial, de modernidade contrastante e dourados mui festivos.
E, nos seus vidros, mil reflexos de gente sem Lisboa alguma.

Imagem: 28/11/2007. Monumento “Mouraria - Berço do Fado”, na esquina da R. da Mouraria com a R. do Capelão, perto da casa onde terá vivido a mítica fadista Severa.

47 Comments:

Blogger Dulce said...

Esta é a Lisboa que a maior parte de nós olha sem ver. Retrataste-a maravilhosamente.
Passei para te desejar um bom natal e fui eu qu recebi uma prenda...
Um abraço grande

dezembro 22, 2007 2:17 da manhã  
Blogger art&tal said...

tambem por cá conheço disto

corta-me o coraçao.

dezembro 22, 2007 7:54 da manhã  
Blogger Francis said...

Às vezes olhamos para o outro lado do Rio e esquecemo-nos de nós próprios. por breves instantes.

Vim para te desejar um Natal muito feliz e cheio de prendas.

Oh, oh, oh! :)

dezembro 22, 2007 11:32 da manhã  
Blogger despertando said...

E acredita que é mesmo triste, cada vez que por ali passo não revejo em cantinho nenhum a lisboa que eu amo, faz-me sentir quase uma estrangeira dentro da propria cidade, portugueses conto-os às vezes pelos dedos da mão.
Um beijinho muito grande para ti e que 2008 te traga tudo de bom
:)

dezembro 22, 2007 6:22 da tarde  
Blogger rui said...

Olá
É a Lisboa já velhinha, mas que ainda desperta sensações e que nos atrai por manter velhos hábitos que nos são queridos.
O teu texto dá vida às ruas e as pessoas que se cruzam contigo, elas pensam e falam.

Desejo que tenhas um Feliz Natal, cheio de Paz e Alegria.

Beijinho

dezembro 22, 2007 7:24 da tarde  
Blogger Desambientado said...

Há brilho nos pinheiros,
Como candeeiros,
Para imitar as estrelas,
As cores não são delas:
São escapadelas,
Fugazes e belas.
Que tragam:
Um Feliz Natal
Descomunal…

Félix

dezembro 22, 2007 8:26 da tarde  
Blogger bettips said...

Esquina do tempo que passa, lento e velho.
"... que há saudades que parece que perdoam o presente ..."
Esta frase vou escrevê-la num caderninho, àparte da electrónica. E lindíssima e tão sentida!
Uma lua límpida e um sol pleno te desejo.
Beijos, APC

dezembro 22, 2007 10:45 da tarde  
Blogger Luis Eme said...

Feliz Natal, APC, porque tudo isto existe...

abraço

dezembro 23, 2007 2:10 da tarde  
Blogger Luís Galego said...

gente sem Lisboa alguma.

retrato cruel, mas real!!!

um enorme abraço e um excelente Natal!!!

dezembro 23, 2007 2:13 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Magistral! Lindíssima peça literária esta. Ao pé de ti muitos desses escritores que vendem aos milhares nos hipermercados são autênticos pigmeus. Que belo retrato da Lisboa antiga e das suas gentes que eu conheci bem. Não a Mariquinhas porque essa não é rapariga do meu tempo. Um beijo querida APC e passa um Santo Natal.

dezembro 23, 2007 2:58 da tarde  
Blogger cuotidiano said...

"gente sem Lisboa alguma" ou "tudo isto desiste".

Mas, se calhar, o pior é quando se passa à "fase seguinte" - haver gente sem gente alguma (por dentro).


(ou serei eu também um neo-psicótico?... Vou telefonar ao JMV, volto depois)


Beijo não natalício, apenas kissyou

dezembro 23, 2007 6:01 da tarde  
Blogger batista said...

Se o tempo é curto - a consideração e carinho pelas pessoas amigas não o são.
Passa da meia-noite, Amiga. Natal chegando... tuas palavras sentidas, belas, tocam minh'alma. Grato.
Um abraço fraterno e saudoso, deixo.

dezembro 24, 2007 2:17 da manhã  
Blogger JL said...

"Cada pessoa que passa pela nossa vida passa sozinha, mas não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós." Charlie Chaplin

Feliz Natal

dezembro 24, 2007 10:57 da manhã  
Blogger Maria P. said...

Feliz Natal, todos os dias...

Beijinho*

dezembro 24, 2007 12:34 da tarde  
Blogger joão marinheiro said...

Por vezes quando abrimos os olhos já não temos nada, só as memórias que teimam em se agarrar nas paredes do pensamento nosso, e o coração aperta-se, e os olhos marejam-se de sal. Ainda me falam de saudade...
Abraço minha querida que entoas a cidade mágica.

dezembro 24, 2007 2:16 da tarde  
Blogger Rui said...

Uma mão cheia de Fado para ti.

BJ.

dezembro 24, 2007 3:35 da tarde  
Blogger magarça said...

Belíssimo texto, a lembrar tantas vidas a quem o natal não bate à porta.

Um Natal feliz! bjs

dezembro 25, 2007 12:51 da manhã  
Blogger un dress said...

NAS












CER









de sangue ar musgo vento e água








~

dezembro 25, 2007 12:14 da tarde  
Blogger daniel sant'iago said...

Fado de fados... este teu poema!
Poema... sim!
POEMA!
E um beijo.

dezembro 25, 2007 12:54 da tarde  
Blogger Maria said...

Mesmo à chuva, dei um belíssimo passeio pelas ruas de Lisboa...

Obrigada, um beijo

dezembro 25, 2007 4:28 da tarde  
Anonymous ferrus said...

Lisboa acaba por ser um fado como se o fado da nossa vida se tratasse.
Quantas vezes nós nos descuidamos com as flores da nossa "janela" e com a pintura da nossa "casa" e acabamos por não conseguir manter a magia e o brilho.
Lisboa também começa a ser assim, deixando o seu interior, a sua essência e magia morrer e dando lugar a coisas atípicas e fora do seu mágico contexto.
Os Fados, que subtilmente cantaste, como é teu apanágio e que fazes muito bem quando o fazes ( por isso adorar o que escreves!), conheço-os e são um catálogo de pedaços de alma desta mui nobre e gentil cidade.
Adoro as suas velhinhas ruas e as suas velhinhas e pena tenho que crianças se vejam cada vez menos a alegrar os pátios tão típicos, tão seus (de Lisboa).
Limpemo-nos e limpemos a cidade e ela e nós seremos eternamente belos.

Pareço alguém que há muito não fala e depois tagarela sem parar...

Vou terminar deixando um beijo dos meus.

dezembro 25, 2007 4:51 da tarde  
Blogger Madrigal said...

Cara amiga APC.

Haverias de conhecer o Rio de Janeiro, sujo, perigosissímo,adornado por mais de 900 favelas, qual delas a com mais bandidos, cheio gente sem escrúpulos nem a miníma comiseração pelo valor da vida humana, dispostos a matar por um nada!

Acabei de regressar do Brasil, do Rio, onde estive pela 2ª vez este ano. Infelizmente, contraí Dengue - a variante normal, não a hemorrágica, facilmente debelável com antibióticos - por isso abortei as férias e regressei ao 1º mundo onde, malgrado os cuidados de saúde deficitários e a nossa Lisboa suja - como tu a classificas - sei que posso ser convenientemente tratado.

No Rio, nos hospitais públicos, até as compressas, o algodão, os remédios e as linhas para as soturas, os familiares têm de providenciar. Lá há muito tempo que não há. O dinheiro acabou. Só nos hospitais privados, para os ricos, há chances de cura! Não se vêem velhos nas ruas e sabes porquê? Morreram todos nas filas do INS!

Minha querida amiga APC, falamos sempre mal da nossa terra - não te censuro, eu tb faço o mesmo - e esquecemo-nos que a Europa é um oásis de civilidade comparada com os outros mundos, aqueles que eu também conheço.

Um beijinho do Jorge que há muito tempo não comunica contigo. Fica em paz e tem um óptimo Natal e um Ano Novo lindo!

dezembro 25, 2007 10:08 da tarde  
Blogger neva said...

Lisboa embora nunca lá tenha morado, já me pertence mais do que deveria pertencer. são muitas recordações de infância de de à coisa de menos de um ano. Desde pequena que o entardecer de Lisboa me faz chorar, tudo pela luz que tem e o sentimento de tristeza, saudades de outros tempos que nem eu própria conheci. Ao acabar de ler o teu texto não consegui deixar de voltar a ter o mesmo sentimento de tristeza e um nó na garganta. Lisboa é isso mesmo um sentimento tão grande que não se consegue explicar, talvez por isso o fado a expresse tão bem.

ps- 22 comentários pensa nisso...

dezembro 26, 2007 10:09 da manhã  
Blogger Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras said...

Que o Novo Ano Vos traga ...
cor, calor, alegria, magia, energia, felicidade, simpatia, paz, saúde, amizade, amor, sentimentos, emoções, agitações, lágrimas e canções...tostões

Que cada dia de 2008 vos faça ...
sentir, sorrir, sonhar, imaginar , acreditar e Viver com toda a intensidade que merecem.
Aprendam, sintam, reagam, lutem pelo melhor,acreditem!

Que seja um Ano de...
paz, tolerância, compreensão, conforto, justiça e Amor

Que estes números mágicos... 2008 nos unam cada vez mais e intensifiquem a amizade que nos une e a cumplicidade que nos caracteriza. Sejam felizes e façam felizes alguém... todos os dias e por favor, cheguem ao fim do ano e digam:
Caramba, Valeu a pena!!!!
Desejo-vos o melhor ano de sempre, durante o qual alcancem os vossos melhores e mais secretos sonhos e que realizem e concretizem os melhores objectivos.
Beijinhos

BOM ANO!!!!!!!

dezembro 26, 2007 3:00 da tarde  
Blogger batista said...

revisitando o teu/nosso espaço... aproveitei pra curtir a fadista Maior.
grato, de coração.

dezembro 28, 2007 12:59 da manhã  
Blogger Leonor said...

ola apc
vi-te la pelos comentarios do meu blog.
aiiiiiiiiiii
olha... mais um ano á porta que me deixa apreensiva sobre o que o complot divino tem para me dar.
podia dar-me a ordem de trabalhos ja para eu preparar os materiais mas nao, depois tenho de andar a fazer tudo á pressa, a inventar, a sei la o que.
desiludida? completamente. 2007 arrasou-me.
bom ano 2008

dezembro 29, 2007 1:53 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

porque o prometido é devido... ;)

Lisboa é linda, linda, linda! E eu tenho muitas saudades dela. Assim como tenho muitas saudades tuas :) Nem sempre o digo, eu sei, mas tu sabes que é verdade. E é isso que é bonito em nós, os anos passam e continua a ser como "ontem". Gostei de estar contigo, pena que tivesse sido tão rápido. Sabes que és a minha amiga mais velhinha? Sabes. E sei que também sabes que nem toda a gente tem essa sorte, de conhecer alguém que nos acompanhe a vida toda, perto ou longe, mas sempre "lá".

ciloka

dezembro 30, 2007 4:04 da tarde  
Blogger mafalda said...

Olá APC,

Hoje passo apenas para te desejar um excelente 2008, com a concretização de todos os teus sonhos e desejos mais profundos e arrojados (seria bom, não???).
Beijos.

dezembro 31, 2007 2:36 da manhã  
Blogger maria carvalhosa said...

Amiga,

Desejo que o novo ano concretize o que, no mais íntimo de ti, desejas!

Beijos aos montes, querida.

dezembro 31, 2007 4:13 da manhã  
Anonymous Princezinha said...

Olá linda! Não é que tens mesmo razão? Como já deves ter percebido, não vivo em Portugal (eheheh emigrante portanto) e neste Natal fui a Portugal, como sempre, claro e fiquei tão desiludida com a nossa Lisboa.....o comércio...nem vê-lo, as ruas cinzentas, o ambiente cinzento, pessoas cinzentas.....uma tristeza! Fiquei tão triste! Bom......deixemo-nos de tristezas.....desejo-te um excelente 2008 repleto de sucessos!!

dezembro 31, 2007 10:53 da manhã  
Blogger Maria said...

Um 2008 com muita saúde e paz.....
Beijo

janeiro 01, 2008 2:15 da manhã  
Blogger Caiê said...

Bom dia!
Quanta dificuldade em deixar um comentário neste blog de quem já tinha saudades! Um abraço e tudo de bom, minha amiga, em 2008!!!

janeiro 01, 2008 5:26 da tarde  
Blogger jawaa said...

O teu retrato é fiel, tristemente fiel.
Um abraço e bom ano 2008 para ti!

janeiro 03, 2008 3:58 da tarde  
Blogger Besnico di Roma said...

Beijinhos e um BOM ANO.
Até breve, voltarei.

janeiro 04, 2008 2:33 da tarde  
Blogger mac said...

Ainda é nestas zonas que se vê que afinal a cidade ainda tem alma. O resto da cidade tem avenidas largas e solarengas, grandes casas, mas também é uma cidade fria.

janeiro 04, 2008 3:05 da tarde  
Blogger Pinguim da Neve said...

Olá! Parabéns pelos escritos e pelo Blog! Quanto aos comentários do SOPAFLÁ... é clicar onde diz "O ki flá també" Depois de a Kâmia aprovar o comentário, ele aparece publicado. Um abraço e obrigado pelos seus comentários aos meus textos.

janeiro 05, 2008 1:14 da tarde  
Blogger despertando said...

Triste, triste é chegar aqui e termos parado em 22/Dez.
Que se passa? hummmm?????
Bom Ano para ti sqmwx

janeiro 09, 2008 4:23 da tarde  
Blogger teresamaremar said...

Sei que Lisboa assim está, maltratada, porém, para quem como eu está, por vezes, tão distante, trago-a pendurada na alma, algo assim como trazê-la ao peito :) só que para pior.

Venho desejar um bom ano. Algo tardio sei, mas tu sabes do tempo que falta :)

Gostei do texto!

beijo

janeiro 12, 2008 7:33 da tarde  
Blogger TINTA PERMANENTE said...

O Fado, afinal, vive disso mesmo: da Saudade, não é?...

abraço.

janeiro 14, 2008 5:05 da tarde  
Blogger Justine said...

Pungente retrato de Lisboa, infelizmente tão real
Irá melhorar alguma coisa este ano??
Um bom Ano

janeiro 15, 2008 4:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Inquietante..Tu :-)

Será que, quem ainda aí se encontra, vê com olhos de como os que passam, a reviver nostalgia?
gostei do tema..

abraço

intruso

janeiro 15, 2008 4:14 da tarde  
Blogger joão marinheiro said...

Quando voltas mocinha?
beijo daqui deste lado do mar

janeiro 19, 2008 11:03 da tarde  
Blogger Besnico di Roma said...

Olá miúda!
…e não é que gostei do teu texto. Excelente aguarela de uma Lisboa decadente.
Mas do texto até retive as vozes roucas das velhas que conversam nos portais.
Não sei porque mas apetece-me dizer:

…até a APC da "rua do Capelão"
parece ter mais virtude
que a própria Rosa Maria
em dia de procissão
da Senhora da Saúde...

Beijitos miúda, vai ao meu blog tenho lá uma palavrinha para ti no final de "Sócrates o Super-Homem"

fevereiro 06, 2008 12:47 da tarde  
Blogger Vieira Calado said...

Conheço bem os locais.
Mas há muitíssimo tempo que aí não passo.
E nem sabia dessa homenagem.

Ai, Mouraria
da velha rua da Palma,
onde eu um dia
deixei presa a minha alma,
por ter passado
mesmo a meu lado
certo fadista
de cor morena
boca pequena
e olhar trocista...

(...)

Era eu um adolescente e toda a gente cantava esse fado!

Boas lembranças.

Beijinhosss

março 11, 2008 3:24 da tarde  
Blogger Bonecas da Filó said...

Adorei o seu blog,lindaas fotos e textos,parabens.
Vou passar por aqui mais vezes.

maio 11, 2008 10:42 da tarde  
Blogger APS said...

Cara APC
Realmente é a LISBOA que temos!
Mas tudo isto faz parte da história da "nossa" Cidade.

Achei o tema abordado maravilhoso.
Parabéns, continue...
APS

julho 29, 2008 12:48 da manhã  
Blogger kassie said...

Triste e também cruel mas muito verdadeiro este retrato... descrição feita com uma prosa maravilhosa!! Lindíssimo!
Beijinhos e se não nos virmos antes Boas Entradas!

dezembro 15, 2012 8:53 da tarde  

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