No Cais
I
Na sombra descida
De névoa encarnada
Tinha o triste gosto
De uma onda trespassada
De uma frota já perdida
De uma água navegada
Chorei
E amadrinhei o desgosto
Solidão,
A bombordo do meu peito
E a contravento
Vi a linhas do teu rosto
Amor
Foi vela rasgada outrora
Ao sabor de uma aurora
Condenada pl’o poente
E a gente que chegou
Jamais te trouxe!
Antes fosse
Eu, doada à maresia
Naquele dia, na enseada
Alma vazia, abandonada
II
Na sombra volvida
Da madrugada
Tinha o triste gosto
De uma vida perdida
Por outra vida perdida
No leito de um sol posto
Chorei
E aperfilhei este rancor
Solidão,
Estava à proa do meu peito
Que contrafeito
Largou ao mar gritos de dor
Amor...
Foi no mar que se perdeu
Quando a chama se apagou
Na candeia que jazeu
E a gente que chegou
Jamais de trouxe!
Quem dera
Que quem um dia se perdera
Fora eu.
Na sombra descida
De névoa encarnada
Tinha o triste gosto
De uma onda trespassada
De uma frota já perdida
De uma água navegada
Chorei
E amadrinhei o desgosto
Solidão,
A bombordo do meu peito
E a contravento
Vi a linhas do teu rosto
Amor
Foi vela rasgada outrora
Ao sabor de uma aurora
Condenada pl’o poente
E a gente que chegou
Jamais te trouxe!
Antes fosse
Eu, doada à maresia
Naquele dia, na enseada
Alma vazia, abandonada
II
Na sombra volvida
Da madrugada
Tinha o triste gosto
De uma vida perdida
Por outra vida perdida
No leito de um sol posto
Chorei
E aperfilhei este rancor
Solidão,
Estava à proa do meu peito
Que contrafeito
Largou ao mar gritos de dor
Amor...
Foi no mar que se perdeu
Quando a chama se apagou
Na candeia que jazeu
E a gente que chegou
Jamais de trouxe!
Quem dera
Que quem um dia se perdera
Fora eu.

(APC, 1999)
Imagem retirada da net.
Disse-te adeus e morri
e o cais vazio de ti
aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
roubaram dos meus sentidos
a gaivota que tu és.
(Amália Rodrigues)
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2 Comments:
Podias ter chegado assim ao tei Cais...
A noite revela-se uma vez mais misteriosa no seu encanto desafiador das virtudes e das verdades pré estabelecidas. Partimos, os que restam, rumo à praia. Apenas vou porque há a possibilidade de ver o Mar. E há muito tempo lhe devo essa visita, me devo essa visita. O Mar da linha tem uma especial magia durante esta época do ano, especialmente de noite.
A Marginal, tantas vezes escrita pelos piores motivos, continua a fascinar. Não importa conduzir à Boca Do Inferno. Não importa quem sou, ou quem possa cruzar faróis no outro lado da estrada. Apenas me deixo ir no inchar das luzes da prevenção rodoviária.
O Mar, esse Mar que purga diariamente as confissões deste povo, está revoltado esta noite. Parece querer engolir a obra dos homens em bofetadas intermitentes de salgado. Apresenta esta noite um negro azul em que me presenteio ao seu desafio.
Desculpa o tempo que demorei a voltar-te, engulo com o à vontade dos melhores amigos.
Para Ti, Amigo, o Mar!...
Com a lembrança de ondas passadas, e a esperança de te ver chegarem as melhores vagas.
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