terça-feira, outubro 10, 2006

O Rochedo

Eu bem sinto como batem
Tuas ondas em segredo
Mas faço de mim um rochedo
Para que elas me não matem

Se agridem, deixá-lo ser...
Progridem na zanga irada
Sentidos que queres esconder
Na luta que quero travada

Rochedo sou, que me não partes
Não quebras tão depressa quem te aguarda
Não páras quem na espera não te apressa
Nem guardas tanta fúria para nada

E eu não morro por sofrer, apenas cresço
E se me pões no céu, de novo desço
(profana sou, se em ti só me reconheço)
Bem mereço essa tua zanga irada

Que queres, se sou rochedo
E as tuas tempestades não me metem medo?!…


E se a ti atemorizam
A cada vez que te açoitam
E sonhos loucos se afoitam,
Escuta as sereias que avisam:
Se acontecer que naufragues,
Quem te irá a recolher?

... Fúria de medo!... 
Que na firmeza do rochedo permaneça uma mulher!


Pormenor de "Naufrágio", de Simões de Almeida (1844-1926), Jardim das Caldas da Raínha, 09/10/2009.

28 Comments:

Blogger Sininho said...

Desculpa os meus tristes comentários, mas neste momento mais nada tenho para dar, obrigada pelas tuas palavras lindas no meu canto, e já procurei ajuda médica. Tb eu gostava de ser um rochedo...

outubro 10, 2006 8:45 da tarde  
Blogger Maria P. said...

Bravo!
Aplaudindo de pé.

outubro 10, 2006 11:57 da tarde  
Blogger ARTEMINORCA said...

OLá "Rochedo"!
Estou contigo, tu sabes!!

outubro 11, 2006 12:13 da manhã  
Blogger Estranha pessoa esta said...

Não sei porque ainda não li o teu poema como deve ser lido.
Tenho esta estupida mania de ler alguns poemas de trás para a frente.
E não é que este soa tão bem lido assim.
Transmite força... e ausência de ressentimento.
..
Logo leio como deve ser.
Por agora.. quero ficar com esta minha leitura.


***

outubro 11, 2006 1:34 da manhã  
Blogger holeart said...

que é mar?

quem rochedo?

bonito post

outubro 11, 2006 6:34 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

A força de um poema cantado por uma mulher de força. Um rochedo.

outubro 11, 2006 10:56 da manhã  
Anonymous Nes said...

Lembras-me 'a viagem negra aos segredos do amor' retratada em Lendas de Paixão...

Mas os rochedos nem sempre destroem, há momentos em que se transformam em pequenas grandes almofadas de penas: macias, confortáveis, seguras, acolhedoras, tentadoras... Quiça?!

Beso

outubro 11, 2006 4:40 da tarde  
Blogger Leticia Gabian said...

Afffff Maria!!!!
Mulher, que coisa linda! Queria eu ter escrito isso, mas diria o mesmo em outras palavras (não tão perfeitas e exatas como as tuas), mas diria o mesmo. E tu bem que sabes que sim.
Beijo.

outubro 12, 2006 3:39 da manhã  
Blogger Estranha pessoa esta said...

Continuo com esta minha leitura.

E tu?

outubro 12, 2006 4:32 da manhã  
Blogger António said...

Olá!
Com que então um poema, hein?
Acho que nunca tinha lido nenhum teu.
Já escreveste muitos?
Continua...
Obrigado pela visita e pelos comentários (de facto, continuam a ser muito poucos; se é assim no início, no final serão meia dúzia...valerá a pena?)

Beijinhos

outubro 12, 2006 9:25 da manhã  
Blogger Luisa said...

Lindo poema que nos dá força perante as batidas do mar da vida!

outubro 12, 2006 12:17 da tarde  
Blogger Mónica said...

arma-te em rocha mas olha que água mole em pedra dura tanto dá até que fura :-)

outubro 12, 2006 4:19 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

"O que não nos mata, torna-nos mais fortes" - já leste isso algures ;)

Bjs rochazinha !

outubro 12, 2006 5:29 da tarde  
Blogger Papoila said...

Belíssimo! Fiquei sem palavras!
Beijo

outubro 12, 2006 10:04 da tarde  
Blogger legivel said...

As sereias não me iludem
que seu canto é já antigo
antes elas que se cuidem
com o meu cantar d´amigo.

Se acaso naufragar
sei que me irás recolher
tudo depende do mar
e de seres firme mulher.

abraço.

outubro 12, 2006 10:59 da tarde  
Anonymous Jofre Alves said...

Invado este espaço, mas não faço estragos, venho somente apreciar uma das mais belas páginas que visito com gosto e desejar bom fim-de-semana.

outubro 13, 2006 4:24 da manhã  
Blogger cuotidiano said...

Por detrás da rudeza, frieza, o que for, de um rochedo, está um salvador de náufragos. Sim, por que os rochedos também choram.

outubro 13, 2006 12:25 da tarde  
Anonymous Juda said...

Olá... também os meus aplausos, deixo o meu abraço...

outubro 13, 2006 3:29 da tarde  
Anonymous Nes said...

Só para dar um besito!

outubro 13, 2006 9:25 da tarde  
Blogger Menina_marota said...

"...E eu não morro por sofrer, apenas cresço
E se me pões no céu, de novo desço
(profana sou, se em ti só me reconheço)
Bem mereço essa tua zanga irada..."

Excelente! Gostei imenso desta força.
Um abraço carinhoso e bom fim de semana ;)

outubro 13, 2006 11:16 da tarde  
Blogger Sininho said...

Um bom fim de semana sem rochedos e cheios de maresia

outubro 13, 2006 11:49 da tarde  
Blogger Leonoretta said...

ola. gostaria de dizer ola e o teu nome mas ja sei que nao gostas. e assim tudo fica semi frio.

vou-me contendo na analise de poemas, aquela analise sistematizada que se faz nas cadeiras de literatura e que sem querermos fica sempre cá dentro a mania. agora olho so para aquilo que nele afina comigo. nao com o autor, egoisticamente.

tenho a dizer que escreves bem, tanto a prosa como a poesia. e tenho a dizer tambem que puseste o "dedo na ferida": faço dos meus instantes vivenciais, até morrer, um surrealismo constante. espero ter força para continuar a dar pinceladas de varias cores ao preto e branco que anda sempre por ai ás esquinas.

beijinhos da leonoreta

outubro 14, 2006 1:42 da tarde  
Blogger Leticia Gabian said...

"...Que queres, se sou rochedo
E as tuas tempestades não me metem medo?!…".
Pra mim é o que resume o poema. E ainda acrescentaria, só pra fechar
"... Fúria de medo!...
Que na firmeza do rochedo
permaneça uma mulher!"

Sua escolha não poderia ser melhor, cara APC.
Um beijo grande.

outubro 15, 2006 1:28 da manhã  
Blogger holeart said...

paradinhooooooooooooo!

outubro 15, 2006 7:21 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Um acaso temporal levou-me a estas palavras que marcam a essência da viagem e seus desvios, com os cruzamentos de uma vida que avança por temporais e dias de sol nascente.

Marco António

outubro 15, 2006 4:22 da tarde  
Blogger Thiago Forrest Gump said...

Belos versos. :)

outubro 24, 2006 5:26 da tarde  
Blogger APC said...

Sininho: talvez que assim pareça, pois que te sentes fraca. Mas deve ser horrível ser-se sempre forte! É no poder suficiente e adequado(na justa potência, que fica entre a incompetência e a prepotência) que somos livres de ser! Um abraço muito especial para ti!

Maria: ena, quanta honra! :-) Faço vénia.

Arte: xei xim xinhôra; xempe xoube! Xi' pati! :-)

Estranha: e como deve ser lido um poema? Força e ausência de ressentimento (lutando para os segurar)... Leste bem!

Hole: mar que se debate em tempestades; rochedo que se não demove de as amparar; Só isto! :-)

Mamito: Thank U so! ;-)

Estranha: eu inconstante nas leituras que faço...

António: [saltando o que de mais foi já dito,] valeria mesmo que fosse só para mim, que te leio com tanto gosto; o que dizer da comitiva de fãs que fielmente te acompanha?! :-)
(Poemas? Escrevi muitos. Um dia acabou-se e o tempo passou. O ano passado, por esta altura, apareceu-me outro...!?).

Luísa: fico feliz por ter conseguido transmitir essa força.

Mónica: A rocha sabe que racha.

Lois: não é assim com a pneumonia, não é assim com os enfartes do miocárdio; porque há-de ser assim com os (des)amores, que nos tiram a respiração e nos explodem o peito? :-|

Papoila: ora ainda bem que a sôtora chegou, para explicar melhor essa da pneumonia e do enfarte… E o resto também! ;-)

Legível: eis uma verdadeira surpresa! :-)))

Pois seja muito bem-vindo, Jofre!

Cuotidiano: e agora? Continuo a ser má para ti ou dou-te mimo? ;-)

Juda: abraço recebido, os aplausos são só acessórios! :-)

Nes: adoro quando passas assim discretinha, deixando cair um “só” pozinho de ouro.

Menina e Letícia: como vocês elegeram exactamente as “minhas” passagens!!! :-)

Leo: que bom merecer-te assim, mais tu! E crê que te oiço tratares-me pelo nome, numa elocução entre o sério e o bem-disposto. Pintemos, pois, com palavras e olhares. Tu pintas muito bem os momentos cinzas que o real te apresenta. Por isso gosto.

Hole: pronto, pronto, paradinho (?); nem penses que te vou contrariar! ;-)

Marco António: soubesse o caro amigo acertar assim na lotaria! ;-) Seja bem-vindo!

Thiago: obrigada & bem-vindo!

outubro 25, 2006 2:33 da manhã  
Blogger APC said...

Pelas rochas se quebrou
E se perdeu a onda deste sonho
Depois ficou uma franja de espuma
A desfazer-se em bruma
No meu jeito de sorrir ficou vincada
A tristeza de por ti não ser beijada
Meu senhor de todo o sempre,
Sendo tudo, não és nada!

(Triste Sina, Amália Rodrigues)

fevereiro 19, 2014 1:14 da tarde  

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