domingo, outubro 01, 2006

Temporal

O tempo - esse, o do calendário - é um intrujão. Vale o da alma, que é o nosso!
Podem passar-se anos, sem se passar nenhum, entre o momento que foi e aquele em que o lembramos.
Porque não houve corte; a linha continua, sem início ou fim; feita de um sentimento, um só punhado de momentos, um só tempo...
É o tempo do amor; porque o amor não tem um tempo. Por isso temos todos tempo de amar.
A questão nunca há-de ser temporal. A questão são os temporais!

"Os grandes navegadores devem a sua reputação aos temporais e tempestades"
(Epicuro)

Nota: este texto, primeiramente um comentário meu, teve honras de ter sido publicado pela Menina Marota em Cartas de Marinhar, gesto que lhe agradeço uma vez mais.

(Foto de RP, 16 Ago, trabalhada por APC)

25 Comments:

Blogger Insane said...

O tempo nada mais é do que aquilo que o Homem dele faz.
Há tempos intermináveis, tempos infindáveis e tempos em que não há tempo.
Do tempo faz-se o tempo e do tempo faz-se uma vida. Então não somos mais que o tempo que de nós fazemos.
Neste tempo, faço sentido?!

Um beijo intempestuoso

outubro 01, 2006 5:52 da manhã  
Blogger Art&Tal said...

hoje vi o teu blog de fio a pavio

muito humano este blog e tu sempre afectuosa

pois... com a mae ocupada noutro lugar... vou ver o temporal, vou ver a agua

outubro 01, 2006 7:34 da manhã  
Blogger Francis said...

Se os teus comentários são assim, mal posso ver o que escreves
He, He, He :-)))
Bolas, lá voltamos ao mesmo!
Bjs!!!

outubro 01, 2006 12:28 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

É engraçado como a palavra AMOR é muito mais bonita, profunda e calma do que AMORES. Existem, quem sabe, alguns temporais mas o AMOR está latente no singular!!
Beijo grande, Lu

outubro 01, 2006 3:06 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Ena, ena! Estás de volta!
E cada vez mais profunda, mais mágica e mais próxima da vida.
E não sei que raio de intuição tens tu, mas acertas sempre nas minhas emoções mais camufladas.

Temporal... boa definição aqui p´ra je.

Beso doce

outubro 01, 2006 3:41 da tarde  
Blogger joão marinheiro said...

Olá bem vinda, tinha saudades, essa palavra esquisita...ainda bem que deste uma gargalhada hoje...
Que por cá o dia é cinza de outono...Beijo sem navegações....

outubro 01, 2006 6:33 da tarde  
Blogger António said...

Olá!
É um excelente texto, bem escrito e profundo como tu tão bem sabes fazer.
E com a vantagem adicional de ser curto...eh eh.
A publicidade é fundamental para garantir o meu ganha pão...eh eh.

Beijinhos

outubro 01, 2006 6:55 da tarde  
Blogger Diafragma said...

Bonito texto, que me lembrou um outro lido algures e que dizia:

"Sempre senti que o tempo, tal como o vento, deve ser livre de seguir o seu curso natural. Por muito que haja quem os queira fixar, sempre me pareceram entidades indomáveis."

outubro 01, 2006 9:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Os temporais da vida sáo os piores, porque um dia, sem nos anunciar, pode-nos levar esse amor, e ficamos sem TEMPO,mas com muito tempo, para AMAR.
Gostei de te ver de volta, a tua palavra é sempre confortante.
Um abraço com todo o tempo do mundo

outubro 01, 2006 11:31 da tarde  
Blogger Maria P. said...

Lindíssimo.

O tempo é como a esperança, enganadores, mas conseguem nos levar ao fim da vida por agradáveis trilhos...

bjinho.

outubro 02, 2006 12:00 da manhã  
Blogger Luisa said...

O tempo é um conceito que os homens inventaram para se conseguirem entender em determinados aspectos práticos mas não tem nada a ver com o nosso "não tempo" , o nosso fluxo de sentimentos que "foram" (se é que há passado não havendo tempo) e estão "agora" (palavra que deveria também ser omitida nesta reflexão)a ser vividos como se não tivessem nascido nem morrido. Correm e não sabemos donde vêm nem para onde vão. Estão!!!!

outubro 02, 2006 12:53 da manhã  
Blogger Leticia Gabian said...

São os temporais que fazem extremecer a nossa alma. Mas, se o amor é forte, resiste e se perpetua no minuto em diante.

beijos.

outubro 02, 2006 1:22 da manhã  
Blogger AS said...

Permito-me sublinhar o primeiro parágrafo:

"O tempo - esse, o do calendário - é um intrujão. Vale o da alma, que é o nosso!"

A profundidade desta tua afirmação é lapidar!...


O tempo do relógio é uma miragem
divide, não o tempo, mas as sensações,
as horas que indica são meras convenções
que não vão além de uma chantagem!...


Um beijo

outubro 02, 2006 12:32 da tarde  
Blogger Unknown said...

O tempo.... temporal, pois é isso que sinto neste momento, um imenso temporal, mas a vida é feita de temporais e de bom tempo, neste temporal o que salva é ter um bom porto seguro. Mas este temporal nao afecta o amor só mesmo o interior, mas do Outono nao espero mais nada temporais interiores e os exteriores são do tempo.

outubro 02, 2006 9:13 da tarde  
Blogger Papoila said...

Olá APC:
De volta às voltas do tempo que é o fio condutor do AMOR!
O outro... o do relógio um dia fez-me escrever este pedacinho, para lá dos temporais...
Se o tempo estivesse à venda: Vendia-o!
Vendia até a razão!
Só eu não me quero à venda...
Beijo

outubro 02, 2006 10:11 da tarde  
Blogger José Manuel Dias said...

O tempo somos nos qe o fazemos...
Bjs

outubro 02, 2006 10:48 da tarde  
Blogger Frioleiras said...

Um reparo, ainda ...
Adoro chuva, e até temporais ...MENOS na alma ! Tenho horror quando sinto a alma ....encharcada! ............

outubro 02, 2006 11:02 da tarde  
Blogger cuotidiano said...

"O amor não tem um tempo"

Tem, tem - não só tem prazo de validade (conhecido ou não pelos intervenientes), o que já por si é uma duração, um tempo, como tem inúmeros tempos "lá dentro" - por exemplo o inicial, do deslumbramento, o seguinte, da insanidade, depois o do "assentamento", o do "acostumamento", o do desencanto... todos eles tempos do amor. Até os contratempos, o próprio desamor, fazem parte dos tempos do amor, do mesmo modo que a morte faz parte integrante da vida (já que, não havendo morte, não faz verdadeiro sentido falar de vida)

Quanto aos temporais, acho que nós, humanos, não os sabemos aproveitar, nem para tirar conclusões nem, sequer, para comemorar o seu fim, exaltando a própria Vida - por mais que não seja, devíamos fazer como os pássaros que, depois de passar o temporal, começam a cantar aos primeiros raios de sol

outubro 03, 2006 9:20 da manhã  
Blogger Insane said...

Não, não está mal "escrevido"! :-D Posso sempre fazer a minha língua. ;-P Aqui vai:

Intempestuoso = sem tempestade, sem tempo! :-)))

outubro 03, 2006 12:41 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Fénix que a menina é profunda como tudo !

Até tremo !

outubro 03, 2006 5:36 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Eu poria aqui uma questão: É o tempo que é intrujão, ou os intrujões somos mesmo nós? Quem intruja quem? É o tempo que nos quer convencer que estamos a envelhecer, ou seremos nós a querer convencer o tempo que não tem poder nenhum sobre nós? É vulgar dizer: Tenho 60 anos mas de espirito só tenho 20. Pois é, mas vamos lá convencer os ossos disso. Concluindo: Somos todos um pouco intrujões, nós e o tempo. Não somos obrigados a envelhecer tão depressa como o tempo nos quer convencer, nem nós somos sempre tão jovens como nós queremos fazer acreditar. Mas não se perde nada em tentar. Um beijinho minha amiga. Sem intrujice.

outubro 03, 2006 6:02 da tarde  
Blogger António said...

Olá!
Acusei o toque e te digo:
o texto é pequeno em comparação com o que ainda falta...eh eh.
Embora eu ainda não saiba quanto falta!
ah ah ah
E se resolver fazer como os argumentistas das telenovelas portuguesas que vão começando a matar umas personagens para prolongar as audiências?
Só a descrição dos funerais...
Hummm...
Tive uma ideia!
ah ah ah
Obrigado pela visita

Beijinhos

outubro 04, 2006 9:46 da manhã  
Blogger Unknown said...

Obrigada pelas tuas palavras sempre tão amigas, vim aqui para te dizer que voltarei segunda, vou descansar um bocadinho, até lá beijinhos

outubro 04, 2006 9:01 da tarde  
Blogger Diafragma said...

Vim aqui ver como estava o tempo... já cá não passava há uns dias... :)

outubro 05, 2006 12:26 da manhã  
Blogger APC said...

Tens mesmo que fazer sentido, Insane?... ;-)

Hole: tocou-me saber que dedicaste do teu tempo a conhecer todo este espaço, que esconde muito e revela um pouco. Ainda para mais, numa fase de temporal para ti. Sê sempre bem vindo; aqui ou ali.

Francis: lolol, muito obrigada! Mas este espaço tem vida própria. Eu não mando nada! ;-)

Arte: talvez porque seja um só poder, e eterno...

Nes: a cada vez, um pouco mais...! E um abraço grande para ti! :-)

João: por aí se acinzentou. E por dentro? Saudades também de te ler; lá irei, sem demora.

António: com a vantagem de ser curto? Mas que lata!!! (tava bom de ver que ias apanhar comigo à conta desta, né?:-)))

Diafragma: indomável, inevitável, incontrolável, como tudo o que realmente nos marca!

Jo: acho que agora vai ser assim: à semana. Mas com todo o tempo também! Obrigada! :-)

Maria: serão as ilusões os melhores trilhos da vida...?!

Luísa: bonito, pá! :-)))

Letícia: será essa a única arma contra os temporais!...

Frog: :-) Belos versos! (espontâneos?). muito obrigada! :-*

Sininho: mas o Outono ainda agora começa, minha querida...! :-*

Papoila: Belo! E se vendesses o tempo, terias tempo para ti?! :-)

José: "o tempo é o que fazemos com ele" - anúncio da Swatch! ;-)

Frioleiras: a alma encharcada arrefece o todo. E se inunda, chove chorando.

Cuotidiano: eu quero esse temporal... O seu exacto início, a luta que me exigir; e a comemoração!

Insane (2): eu não disse nada, disse? ;-)))

Lois: temporais fazem disso! ;-)

Mamito: somos tão jovens quanto nos sentimos. O resto é o resto! ;-)

António (2): mata-as e casa-as... Sê cruel! ;-)))

Sininho (2): Bom descanso; revigorante. E um regresso com toda a força que hoje buscas!

Diafragma (2): e acaso não viste por aí uma foto que é tua? ;-)))

outubro 06, 2006 2:39 da manhã  

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