Chove
Adoro a chuva no Verão, assim como o sol de Inverno.
Vibro com a beleza das excepções; daquilo que nos traz surpresos por acontecer, que nos conquista sem aviso.
Hoje, após uma longa noite de fulminante trovoada, todo o horizonte era molhado.
Havia algo de raro na luminosidade do dia, na sua frescura, no cheiro das ruas.
Por diversas vezes levantei um pouco a saia comprida e rodada - como uma dama antiga faria para ocupar o seu coche - tentando que não se encharcasse nas poças do caminho.
Depois, rasando o solo, inevitavelmente o esvoaçante folho de tule acabaria por roçar nas pedras da calçada, arrastando consigo singelas gotículas de água e levando-as a tocar-me os tornozelos, num delicado e agradável arrepio…
Vibro com a beleza das excepções; daquilo que nos traz surpresos por acontecer, que nos conquista sem aviso.
Hoje, após uma longa noite de fulminante trovoada, todo o horizonte era molhado.
Havia algo de raro na luminosidade do dia, na sua frescura, no cheiro das ruas.
Por diversas vezes levantei um pouco a saia comprida e rodada - como uma dama antiga faria para ocupar o seu coche - tentando que não se encharcasse nas poças do caminho.
Depois, rasando o solo, inevitavelmente o esvoaçante folho de tule acabaria por roçar nas pedras da calçada, arrastando consigo singelas gotículas de água e levando-as a tocar-me os tornozelos, num delicado e agradável arrepio…
Ocorreu-me: como sabe bem viver!
Quis partilhar. Soube com quem. Não tive como.
A saudade que tentava esconder surpreendeu o momento e com ele se fundiu.
Evoquei, fielmente, estas palavras:
A saudade que tentava esconder surpreendeu o momento e com ele se fundiu.
Evoquei, fielmente, estas palavras:
- “Aqui chove. Uma chuva deleitosa. Como uma ordem das divindades a cair suavemente sobre os humanos. Uma ordem para amar”
- "Deixai que nos cubra. Que nos descubra!"
.jpg)


3 Comments:
claro que sabem bem viver :)
Ah, e ter-te por amiga do peito é das coisas que melhor sabe viver! :-) Bem-vinda, cerdinha do lado do corazon!
PS - E isto lembra-me que este ano não comi "cerdinhas" p'lo Santo António :-(
Lá está: como é bom estar vivo! E como é bom poder partilhá-lo! Um belo texto, sensorial, de quem sabe apreciar cada instante da vida, só ou acompanhada...
;-*
Enviar um comentário
<< Home