Bom dia
- Bom dia, cadeira vazia!
- Bom dia... De novo! - respondeu a alma nela sentada.
- Ah, mas não, que há pouco falei foi com a almofada. Ou, melhor, com o "travesseiro" ;-)
- Pois sim; e pensas tu que assim te enganas?!...
- OK, desisto. Já vi que hoje não tás para brincadeiras! :-(
- Calma... Bem sabes que sou tão só o teu desejo; espécie de espelho do que queres.
- Sim, sim... Mas agora vou trabalhar, e não se fala mais nisso, pode ser?
- Poder pode, mas a questão é: conseguirás?
- (...!...) Ora bolas para ti! (isto é, para mim!).
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7 Comments:
Pior do que falar para o espelho é ele responder!!!
Mas é um raio de um oráculo cuja mensagem é extremamente hermética e cifrada.
Lá está (e não a despropósito o referia): é de quase-nadas que se faz o fio de Ariadne com que me tento guiar (mais me enredando) ao encontro do Minotauro(*), crente no seu lado dócil, porém tão escravo de uma agressividade herdada de agressões.
Mas a manter-se o meu karma, ou há muito vou perdida - num desnorte fatal - ou extinguir-me-ei na conquista, pois levo comigo o fogo de Marte, cujas chamas queimam quaisquer asas icarianas que me pudessem valer para regressar incólume do labirinto em que me fiz levada.
(*) Óbvia perversão do mito grego, mas, aqui e agora, eu conto a história como eu quiser :-)
Olá APC
Este comentário merece honras de texto principal do blog. Talvez o possas descamuflar...
ou seja, poderás fazer com que ele atravesse o espelho?
Beijinho reflectidos...:)
É extremamente gentil da tua parte!
Porém, hoje vagueio numa daquelas dimensões penumbrosas, em que tudo é posto em causa e cada interrogação é veneno; a exemplo: merecerá o minotauro que o traga sempre do lado de cá da superfície, tão alucinadamente próximo, que lhe sinto o respirar?
Há por aqui algo que se intimida de se ver ao espelho, daí quedar-se abrigado por detrás deste biombo.
Mon plaisir, chère amie (tal como eu, deambulante neste início de madrugada)...
Bom, cara Aspásia,
Tenho a dizer-te que acabaste a fazer-me fazer algo. Ah pois foi!
(não há como alienar responsabilidades;-)
Sem bem saber como, fui parar a http://www.minguante.com/, um curioso projecto de compilação de contos e outros textos, desde que em miniatura, ou seja, com não mais de 200 palavras (tenho que o publicitar melhor!).
Ora eu sou é perifrástica… Para além de um signo de acção, de criação, de pr’afrentismo. Impedir, limitar, diminuir, são coisas que não sei.
Refrear, reduzir, resumir… - custam-me os R’s da vida, na sua grande maioria. Mas é que retrair-me, recuar e recusar também, muito mais quando a maturidade exige que um quê de ordem apolínea arrume alguns instintos soltos p’la ebriedade dionisíaca (Nietzsche sempre presente!).
Vai daí, concluí que seria um exercício interessante para mim, e olha o que fiz: juntei o da montra com o do armazém (o subtil elo de ligação vem do 1º comentário ao post, do CS) e lá mandei.
Um afagamento, e ficou assim:
"Sentada à mesa do café, fitando o espelho à sua frente:
- Bom dia, cadeira vazia!
- Bom dia... De novo! - responde a alma projectada.
- Ah, mas não, que há pouco falei foi com a almofada. Ou, melhor, com o "travesseiro";-)
- Pois sim; e pensas tu que assim te enganas?!...
- OK…Já vi que hoje não 'tás para brincadeiras!
- Ora essa, bem sabes que sou tão só o teu desejo....
- Sim, sim... Mas agora vou trabalhar, e não se fala mais nisso, pode ser?
- Poder pode; a questão é: conseguirás?...
- … Ora bolas para ti! :-(
Pior que falar para o espelho, é se nos responde!
E logo este - tão mau oráculo... De mensagem hermética, cifradíssima!...
É sim de quase-nadas que teço o fio de Ariadne que me leva ao Minotauro, crente no seu lado humano, porém tão escravo de uma agressividade herdada de agressões.
Numa óbvia perversão do mito - havia de lhe fugir! - ou há muito me entreguei a um desnorte fatal, ou extinguir-me-ei na conquista, pois carrego o fogo de Marte, cujas chamas queimam quaisquer asas icarianas que me pudessem valer para regressar do labirinto a que me fiz."
Obrigada Aspásia!
E obrigada Carlos!
:-)
Olá
Uma vez, tinha eu 16 anos, fizeram-me falar para uma cadeira numa sessão de psicodrama. Foi tão intenso que não consegui falar durante dois dias.
Falar para uma cadeira, ou para o espelho é descobrir a verdade que só reside dentro de nós. Afinal, só não nos mentimos a nós próprios, não é?
Navel: muito rico, o teu comentário.
E sorri-me: psicodrama fora do seu setting próprio, qual caixa de primeiros socorros... :-)
Agora:
Uma vez, tinha eu 16 anos, cruzei-me com alguém. E foi tão intenso, que o futuro haveria de dar voltas e ainda há dias ele estava sentado numa cadeira vazia ;-)
O último post ("Dia Não", dia 22) lembrou-se de ti: dessa mudança boa que se te deu após o que parecia ser do pior. Boa sorte!
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