Talvez
Talvez que a vida não nos dê espaço
Talvez que o tempo se esgote num sonho
Que não pode ser acordado
Talvez que a verdade tenha de ser muda
E que nos reste inventar um plano fictício
Qualquer coisa de entretanto, um disfarce, um camuflado
Fotocópia a preto e branco de um quadro a duas mãos
Talvez que não saber o que se quer, seja o barco que navega
E descobri-lo enfim, o castigo de naufragar
Talvez que se não possa remar contra, sem mágoa ou morte
Talvez que nada se permita, nada se alcance
Que todas as buscas sejam tolas
Todas as lutas, todas as forças
E todas as palavras sejam talvez
... E nada mais interesse!
Talvez que o tempo se esgote num sonho
Que não pode ser acordado
Talvez que a verdade tenha de ser muda
E que nos reste inventar um plano fictício
Qualquer coisa de entretanto, um disfarce, um camuflado
Fotocópia a preto e branco de um quadro a duas mãos
Talvez que não saber o que se quer, seja o barco que navega
E descobri-lo enfim, o castigo de naufragar
Talvez que se não possa remar contra, sem mágoa ou morte
Talvez que nada se permita, nada se alcance
Que todas as buscas sejam tolas
Todas as lutas, todas as forças
E todas as palavras sejam talvez
... E nada mais interesse!
[Chove
Há-de chover uma e outra vez (talvez)
E a cada vez que chove, o talvez se afoga]
Talvez todos os sonhos morram na praia
Olhando o mar, feitos espuma
Talvez não haja senão a chuva e o mar onde ela cai
- Justificar-se-iam as lágrimas -
E que tudo seja água e terra, e céu e água
Apagando o fogo e bebendo as cinzas
E regressando sempre igual
Olhando o mar, feitos espuma
Talvez não haja senão a chuva e o mar onde ela cai
- Justificar-se-iam as lágrimas -
E que tudo seja água e terra, e céu e água
Apagando o fogo e bebendo as cinzas
E regressando sempre igual
Talvez por isso nada aconteça
“E seremos duendes para sempre” *
“Quem ama não se despede”?
Talvez. Talvez.
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* Verso de "Duende", António Franco Alexandre
(Porque sim).
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