«Sim, às vezes o pensamento mais louco, aparentemente mais impossível, enraíza-se tão fortemente no nosso espírito, que acabamos por acreditar que é realizável... Mais ainda: se essa ideia está ligada a um desejo violento, apaixonado, acolhemo-la finalmente como algo de fatal, de necessário, de predestinado, como algo que não pode deixar de acontecer! Talvez haja nisto qualquer coisa mais: uma combinação de pressentimentos, um esforço extraordinário da vontade, uma auto-intoxicação pela imaginação, ou qualquer coisa ainda...»
(Dostoiévski, O Jogador, XIV)
.jpg)


35 Comments:
Olá APC.
"jogadora" de palavras.
Com a tua ausência, até cheguei a pensar que o "Xam-pô" tinha qualquer coisa mais, que a fórmula cheirosa...
E não é que o Dotoiévski tinha razão? Quem é que não passou já por uma loucura dessas? Se alguém disser que não está a mentir.
Com os clássicos, "aprender, aprender, aprender sempre" . E como é bom relê-los
,,, ou uma grande parvoíce, quererá ele dizer...
abrazo europeo
Que coisa forte postaste agora! Sabes que adoro isto!!!
Beijinhos, Lu
Loucura!
Claro que a loucura é realizável.
O que nos parece loucura hoje é a realidade de amanhã.
Gosto muito de uma frase que diz: "Os loucos abrem os caminhos que depois emprestam aos sensatos " de Carlo Dossi.
Acredito que seja verdadeiramente assim. Ainda bem que continuamos a acreditar no que parece loucura, impossível, pois os que se deixam intoxicar por pensamentos e sentimentos loucos assim são os que conseguem ir movendo e até abanando o mundo.
Um grande beijinho para ti
Isabel
Não concordo com o "cocktail" de pressentimentos... um apelo ao extra sensorial!
É uma fraqueza minha... não acredito.
"(Paulina A.), vejo claramente que o desenlace se aproxima; é claro que também vai atingi-la. Repito-lhe pela última vez: precisa da minha vida? se lhe posso ser útil SEJA NO QUE FOR, disponha de mim:(...) Se for preciso, escreva-me ou mande-me chamar."
Dostoievsky, O Jogador, XIII
... e depois perde-se tudo.
Bom... mas, às vezes, até pode valer a pena - o que conta é a intensidade, não a duração.
Beijo
Ola!
Gostei imenso de ler «O Jogador» do Dostoiévski.
Faço um reparo: qualquer jogador (Não apenas aquele da sala de jogos de sorte e azar, mas em sentido lato) sabe que nunca deverá prescindir de uma certa razão certa razão prática, porque por muito sincera e cativante que seja a sua emoção os interlocutores nem sempre cultivam as melhores práticas e, aproveitando-se dessa libertação de cautela, perante alguem que se assim se entregue, explorarão o filão sem escrúpulos.
No livro, a Senhora de idade, transita de um estado de crítica prática e tenaz ao jogo para a entrega total, emocionada e acrítica, por ter prescindido de avalar aquilo que os Casinos cultivam muito habilmente: engodo.
A sorte dos principiantes é assim, ganha-se imenso na primeira vez, enlouquece-se e, depois, perde-se, perde-se, perde-se.
Claro que percebi o jogo de palavras e o desafio deixado com a citação de «O Jogador»
Sábias palavras retiradas de um livro de culto para mim. Embora não seja o mais conhecido do autor é sem dúvida aquele onde acho ele retratar melhor a natureza humana.
Bjs
TD
A tua escrita continua bela, intensa, não deixando indiferente quem por aqui passa, são palavras mas não "Apenas Palavras" é uma escrita sentida, gosto muito de te ler.
Beijo
Este moço era, de facto, um jogador. Acredito que, neste excerto, não estivesse a fazer bluff...
Afinal, arrumar filosofia assim pelo meio das comezinhas coisas do quotidiano é assim a modos de fazer feriado no pensamento!...
abraço.
Vim procurar o teu pensamento e os teus sentires.
Deixo um grande abraço.
Isabel
Um livro fantástico, que me fez temer a proximidade de qualquer mesa de jogo..
E depois? Que fazer?
...............
alea jacta est.
...............
É impossível recuar. Pode-se contornar o destino, nunca o acaso.
APC:
O que seria de nós sem esta loucura de acreditar ser possível?
"Mais ainda: se essa ideia está ligada a um desejo violento, apaixonado, acolhemo-la finalmente como algo de fatal, de necessário, de predestinado, como algo que não pode deixar de acontecer!"
Beijos
o problema é que
não gosto de "jogadores" !
E Dostoiéski? não sei bem,
agora!
Um abraço amigo
Gostei que gostasses: foi uma espécie de valsa mental. Há uma mistura, sabes? E eu sonhei -e li -muito sobre e com aquele mundo do lado de lá. Ainda estou um pouco tonta... Bjitos
todas as loucuras são relaizáveis... a história está cheia de exemplos: pena que nem todos sejam bons...
Luís Eme: Não tinha nada mais, senão a intenção de mostrar que o resto não tinha nada mais! ;-)
Gui: Se alguém estiver a dizer a verdade, é uma pena!
Justine: Isso! Reler não é só ler de novo; é ler sempre algo novo.
Artie: Eheheh... Vi-te a sorrir! :-P
Isabel: Loucura, conceito louco!
MFC: Ou se sente, ou não se sente. E se se sente...!
100emenda:
"Dir-se-ia que este sonho incoerente e as impressões que ele me deixou me são tão queridos, que temo qualquer novo contacto, com medo que eles se dissipem em fumo! Será, portanto, que tudo isto me interessa ainda muito? Sim, é mais que certo; hei-de recordar tudo talvez ainda durante quarenta anos..."
(Ibidem)
Cuote: "Às vezes pode valer a pena"?... O quê... apostar nos sonhos? Tudo vale a pena, se a alma não é pequena. Então não são esses que comandam a vida?...
JPD: Seja como for, a aleatoriedade frustra tanto as jogadas de impulso, como aquelas que mereceram o mais exímio cálculo probabilístico. Daí que muitos golpes de sorte aconteçam "ao acaso", movidos por actos da fé e da vontade. Mas - é claro também para ti - esta citação não está aqui para falarmos de jogos. Pelo menos não daqueles aos quais o planeamento aproveita. Se todas as emoções fossem pensadas antes de agidas, que seria de nós, afinal?...
Teresa David: Aí divido-me. Já estive, por uma vez, para publicar (quem sabe ainda o faça), umas notas em que evocava um sentimento extraordinariamente bem transmitido pelo autor em Crime e Castigo, exactamente por achar o mesmo. Em ambos, porém, senti, por vezes, como que uma certa artificialidade - nas reacções, pouco prováveis de o serem... Assim um toquezinho algures ali na barreira entre o neurótico e o psicótico... Mas enfim, meras e vagas impressões.
Fernando: Estas não são palavras minhas, meu caro. Saberia lá eu dizê-lo assim!...
Tinta Permanente: Também acredito que há excertos da vida, em que não fazemos bluff.
Isabel: Reciprocamente! :-)
Magarça: Nem nunca me aproximei muito... Preferi pensar que teria azar ao jogo! ;-)
Perdido: Depois?... Não há jogadas certas! O que se joga, no fim, é sempre o sentimento.
Papoila: 'Nem amantes nem amados...
Velha Gaiteira: Nem eu, nem eu...
(de jogadores!).
Bettips: Hum... Sei! Também eu ainda estou um pouco tonta! ;-)
No Name: Se todos fossem bons, isso dar-nos-ia uma segurança tal, que nada mais seria sentido como sendo "loucura". Imagina-nos, a todos, cobardemente "apostando" apenas no que já era certo...! Já agora, actos de elevada prudência e alegada sensatez com maus resultados, também é coisa que não falta! :-)
Acho que... é mais qualquer coisa :)
:-)
um abraço fraterno,
batista
Porque Eugénio ficaria bem com as esguias palmeiras do Passeio Alegre... Esta foto penumbrosa só pode falar de aves da noite. E como não se pode comentar... Talvez sim, seja uma saída para tantos mil pensamentos que se cruzam por aqui. E por vezes nos agridem ou confundem. Abraços
O pensamento pode ser louco, mas se estiver a servir uma nossa vontade, ou um sonho, ou uma utopia nossa, a caminho de um horizonte nosso, não deve meter medo, mas dar forças para continuarmos a pensar assim
Ou qualquer coisa ainda...
:)
beijo
Repito sempre comigo: "Tu não deves nada ao Banco, tu não deves nada ao Banco"; Mas parece que no Banco ninguém me acredita.
Obrigado pelo teu comentário.
Foste, és e serás sempre bem vinda. Aliás, a tua ausência foi notada (só um pouco).
Um abraço e...
Obrigado :)
Hummm, intoxicar-me de imaginação? Querem lá ver!!!
Abraço daqui
gostei de ler
uma auto-intoxicação
.....sim.......
jocas maradas...sempre
beber por um orgão
eu já bebi no mais alto dos tubos
e chorei de seguida ...
na verdade eu queria falar de messiaen mas veio-me o bach a boca
estes sao os que me permitem os mil e um orgasmos
c.
Então isto não anda?
Já tinha saudades de espreitar camuflagens para ver se continuava de florete na mão e o espirito arguto, mas com um tudo quê, de jovialidade. Abração
... não sei como é que conseguiste!? mas este é precisamente o pedaço de prosa (recortado de uma das páginas de "O Jogador") que levo guardado religiosamente junto ao peito, quando entro em qualquer casino. Até hoje, são mais os gastos que os ganhos, mas um dia não pode deixar de acontecer...
... vou à falência.
"Mas Isto Não Anda?" (The imitation monkey)
um extracto muito forte de um livro brilhante.
Artur: Vá-se lá saber!... :-)
Baptista: Mas que saudades, meu caro! Vê se não foge não! :-)
Rui: Amén!
Teresa: Ou outra, que seja...! :-)
Francis: Ó diabo!... Falas como se eu tivesse tido dúvidas, ou quê? :-P A tua também o foi (vagamente). Um abraço e... Outro.
João: E não é? :-) Grande abraço!
Su: 'Essa "maradice"... Sempre! :-)
C: That's * how * you * are! :-)))
Rui: Isto nem se fez para andar, calha bem! Ou se deixa ir ou fica-se; assim, desresponsabilizadamente! Mas olha: vou deixá-lo ir mais um pouco... No título, a razão pela qual ele se fica! :-)
Minha cara Jo, que surpresa tão boa!!! :-))) Um abraço por aqui, que já lá vou deixar outro! :-)
Legível: Ora, como consegui?!... Vasculhei-te os bolsos, claro! Desconfio sempre de um jogador! :-P
PS - Pois é... Tenho que tomar cautela... Acho que a minha vida real se anda a sobrepor às minhas responsabilidades virtuais!!! :-S
Publicar um comentário
<< Home