sexta-feira, outubro 05, 2007

O Erro

Guardo o meu maior erro como um exemplo. De algo em que persisto até ao fim.
Um grande erro, o erro dos erros, tem de merecer esse estatuto, ou fica-se pela metade, permitindo a outros serem-lhe maiores.
Só levado ao extremo, até às suas últimas consequências, pode então morrer. Ou renascer como algo acertado; porque nada pode num erro ser totalmente errado. Nada pode, de tão erróneo, não conter algo de certo, nem que seja sê-lo.
Trago o meu grande erro vivo. Diz mais de mim que os grandes acertos já defuntos.


Joss Stone - Right to be wrong .mp3

36 Comments:

Blogger goldluc said...

Acertar no erro certo é um privilégio. É esse que nos escreve a história. Seremos sempre o que disserem de nós.
Mau mesmo é quando erramos o erro certo. Abate-se uma nuvem silenciosa que dura pela eternidade. Um "effacé" definitivo.

outubro 05, 2007 1:03 da tarde  
Blogger cuotidiano said...

Os erros (grandes ou pequenos) dizem normalmente mais de nós que os acertos, tanto mais que não há "grandes acertos", havendo "grandes erros". E se até os pequenos erros que são os "actos falhados" serviram de pilar (um dos) para as grandes teorias do Segismundo, por maioria de razão porque é que os grandes erros não teriam "direito à vida"?!

Aliás, vou constatando que a nossa vida é, basicamente, "de erro em erro até ao acerto final". Sendo esse acerto algo que nos persegue até ao fim.


Beijo

outubro 05, 2007 1:27 da tarde  
Blogger Alberto Oliveira said...

... bom, bom. Este é um assunto algo melindroso, que não me canso de cometer erros das mais variadas espécies e tamanhos e não tenho emenda nenhuma. Provavelmente, no fundo, nem me quero corrigir, sei lá. Talvez algo maléfico que me empurra para o erro, esteja na origem deste padecer errático(?!). Houve mesmo uma altura da minha vida em que errava tanto ou tão pouco, que os erros aconteciam a horas certas. Agora erro menos, que a experiência de vida também serve para alguma coisa. Onde as coisas continuam na mesma é no português. Por mais revisões dos textos que faça, passo por cima dos erros e nem dou por eles. É uma fatalidade.

E guardas o "teu maior erro"? Eu não faria tal. Tenho uma casa tão exigua...

Um ótimo feriádo.

outubro 05, 2007 3:57 da tarde  
Blogger jorge esteves said...

A Vida, creio, tem por regra o Erro; Por vezes acontece um acidente: a Verdade.
(olhado assim, o tudo parece mais fácil, não é?... Além de que é mais acomodada a (con)vivência do dito!)
Abraço

outubro 05, 2007 9:19 da tarde  
Blogger mfc said...

...entendi-te!

outubro 05, 2007 9:47 da tarde  
Blogger Maria P. said...

E são os erros que nos ensinam, dizem...
:)

Beijinho e bom fim-de-semana*

outubro 06, 2007 2:27 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Identificado e vivido. Sente-se decerto cada batimento na pele... e perdura. Inexplicavelmente, pois se foi erro que permaneça o que certo houve. Porque teve que haver algo certo.

Vale o reconhecimento do erro. Podias não conseguir classificá-lo.

Beso, beso

outubro 07, 2007 12:53 da tarde  
Blogger vieira calado said...

É bem verdade que se diz que toda a face da moeda tem o seu reverso.
Nunca, nada é totalmente errado!

Quanto ao lançamento da 3ª edição do meu livro Merdock, não me posso qeixar. Ela correu muito bem.
Mas o livro dificilmente chegará a Lisboa. Depois duma fase de satisfação de pedidos que já tenho, deixarei alguns apenas (penso) em livrarias do Algarve, onde possa eu mesmo fazer a distribuição. As distribuidoras chegam a cobrar 40% + os 25 ou 30% das livrarias, já vê...
Um abraço.

outubro 07, 2007 1:10 da tarde  
Blogger São said...

Vim cá porque achei graça ao susto comum provocado pelos ladridos de Merdock.
O que são erros?
O meu querido amigo Urbano disse-me uma vez " Nós nunca nos arrependemos do que fazemos, mas sim de não ter efectuado outra escolha!":em certo sentido, parece-me ter razão.
Bom resto de domingo!

outubro 07, 2007 3:03 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Pois... Como dizia o nosso amigo Bachelard, "o erro é positivo"!
Obrigada pela força e pela simpatia imensa que sai sempre de ti para me tocar!
Beijinhos, Lu

outubro 08, 2007 1:24 da manhã  
Blogger Leticia Gabian said...

Nem que seja sê-lo ao extremo...

outubro 08, 2007 8:28 da manhã  
Blogger Rui Caetano said...

Quem não comete um erro. Os erros ensinam-nos a seguir um outro caminho. POr vezes os erros só são erros para nós, quando nos paercebemos do rumo errado que tomamaos.

outubro 08, 2007 9:30 da manhã  
Blogger Vladimir said...

é com o erro que aprendemos a maiores lições da vida, mas para tal temos que ter consicência que erramos.

outubro 08, 2007 11:41 da manhã  
Blogger Luis Eme said...

Os erros são quase o nosso terceiro pé, ou a terceira mão...

Fazem parte da nossa natureza, imperfeita.

outubro 08, 2007 11:15 da tarde  
Blogger Carlos Sampaio said...

Em tempos tive nas minhas costas um pequeno poster de "Charlot" em fato de prisoneiro que dizia:

"Gosto dos meus erros! Não quero renunciar à liberdade deliciosa de me enagnar!"

outubro 08, 2007 11:43 da tarde  
Blogger Licínia Quitério said...

A vida é feita de contínuos erros. Corrigi-los é a dinâmica dos nossos sonhos. Acertá-los é morrer.
Olha o que tu me fizeste para aqui dizer: um rosário de erros.

Beijinho, Amiga.

outubro 09, 2007 10:44 da manhã  
Blogger tchi said...

«...nada pode num erro ser totalmente errado. Nada pode, de tão erróneo, não conter algo de certo, nem que seja sê-lo».

«É mérito raro confessar um homem seu erro», diz Chesterfield.

Belíssimo texto.

outubro 09, 2007 8:06 da tarde  
Blogger Unknown said...

O erro... mas como me fez bem ler isto, pensar na parte positiva do erro, achar que o erro diz tudo sobre mim, nunca tinha pensado nesta perspectiva, tava "camuflado" e tu "descamuflaste", BEIJINHOS DE SAUDADES

outubro 09, 2007 9:51 da tarde  
Blogger inominável said...

desta vez não precisas de ir ao histórico dos comentários LOL

e para ti, sobre este post, "erros meus, má fortuna, amor ardente"...

outubro 10, 2007 2:04 da tarde  
Blogger jorge esteves said...

...ainda, por falar em erro:
como dizia um amigo meu, a propósito de um (erro meu) confessado 'não te descartes, não te descartes, pá!...'
Abraço.

outubro 10, 2007 4:38 da tarde  
Blogger Rodrigo Fernandes (ex Rodrigo Rodrigues) said...

Cheguei, finalmente, a Lisboa com vontade de publicar um post que, pese não ter ainda conteúdo, tinha já como certo o título de "A beleza do desvio-padrão". Admitamos ser este um título promissor, mas é seguro que vai ficar para já de molho cujo porquê explicarei se me concederem uns segundinhos de auditório.

Tenho por hábito fazer o mercê da espera aos meus textos, dando primazia aos textos dos outros que ando a ler - a que chamo as minhas outras ervinhas de cheiro - por extrapolação dos bons hábitos de cavalheirismo que me ensinaram na minha mocidade e que consistia em dar a passagem, ou o lugar, às senhoras ( e também aos velhinhos, aos inválidos, às criancinhas ranhosas, aos necessitados, mas isso é outra história, não vamos colocar todos na mesma ordem motivacional ).

Tenho este hábito dizia (sendo o hábito uma segunda natureza torna-se às vezes mais forte que a primeira) e, na consequência, cheguei aqui, que é o segundo lugar na ordem abecedária (já que não somos usadores de alfas nem de betas, embora um pouco betinhos). E que vejo eu? Um extenso e errático arrazoado sobre o erro, com ou sem razão, com mais ou menos acerto.

E assim decidi mudar de assunto. Vou pois pensar um bocadinho e escrever no meu blog sobre "A beleza do erro".

Estais todos convidados, porque, querais ou não, já lá estais.

Voltarei, ainda, para deixar um comentário mais final à APC.

outubro 10, 2007 9:59 da tarde  
Blogger P said...

Não somos nós tudo e mais os erros?
Abraço

outubro 10, 2007 10:02 da tarde  
Blogger Amaral said...

Acabo por aceitar que o erro faz parte de todas as coisas. Tal como outro conceito qualquer...
Se o erro não existisse nem pressentiamos o acertado de nada...
Prefiro pensar que o erro é aquilo que não conduz ao resultado pretendido. Mas que é preciso percorrer, para darmos meia-volta e escolhermos outro caminho, se não fôr o que desejamos.
O cientista, sem o erro, não progredia. É o "erro" que o faz acertar em tantas coisas!...
Gostei do teu "erro"!

outubro 11, 2007 10:33 da manhã  
Blogger nana said...

renascer como algo acertado.

viver como se tudo certo.

a vida,
em nós.

outubro 11, 2007 2:46 da tarde  
Blogger Rodrigo Fernandes (ex Rodrigo Rodrigues) said...

Conforme prometi, cumpri.

Bem cumprido e bem comprido, lá está no meu blog o comentário completo que o teu texto, mais os demais comentários, me sugeriram.

Achei o texto estimulante. A estimulação deu-me gozo. Espero que não tenha sido solitário.

Para finalizar peço a todos que me desculpem qualquer errinho.

outubro 11, 2007 7:26 da tarde  
Blogger Gui said...

Todos os erros têm um lado certo

outubro 12, 2007 5:22 da tarde  
Blogger Caiê said...

Só posso dizer-te isto perante o teu texto: também eu.

outubro 12, 2007 5:38 da tarde  
Blogger Cusco said...

Por vezes o erro comanda a vida....

Um abraço!

outubro 12, 2007 6:41 da tarde  
Blogger Besnico di Roma said...

Aprendi com os meus… e todavia repito-os. Inconscientemente, compulsivamente, eternamente errado, até quando pretendo acertar…
Ai se eu tivesse um manual, onde claramente se definisse o que está certo!...

outubro 12, 2007 7:47 da tarde  
Blogger Alexandre said...

Eu trago sempre vários erros comigo, com o objectivo de não voltar a cometer os mesmos erros! Errado! Volto a fazer sempre as mesmas coisas, a dar sempre as mesmas oportunidades às pessoas, a deixar que entrem no meu espaço e a ficar sufocado...

Um dia hei-de deixar de errar... nem que seja quando estiver mesmo sufocado sem retorno...

Muitos beijinhos!!!

outubro 13, 2007 10:47 da tarde  
Blogger RABISCOS DIGITAIS said...

assunto delicado, complexo! teoricamente falando consertamos nossos erros, mas na verdade sempre voltamos a cometê-los!perfeito! adorei tudo!
voltarei sempre, obrigada e um abraço

fátima queiroz

http://aterraazul.blogspot.com/
http://eternal-fractals.blogspot.com/
http://fatima312.vox.com/library/posts/page/1/
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outubro 14, 2007 4:26 da tarde  
Blogger Madalena said...

Obrigada pela visita! Bach, o da Gaivota, disse que os erros, os nos erros são nosso, logo reivindiquemo-los! Um abraço!

outubro 14, 2007 8:49 da tarde  
Blogger Isabel said...

Adorei o teu ponto de vista e a tua filosofia, porque adoro tudo o que é diferente de mim.
Eu não sei qual o meu maior erro e nunca vou saber.
O tempo muda a forma como olhamos para os erros.
Nós e as mudanças em nós mudam a forma como olhamos os erros.
Há erros que afinal não o foram.
Há certos que se tornam errados.
A memória tem a capacidade de lembrar e de esquecer. Pode até conseguir esquecer maior dos erros.
E se o fizer esqueceu-se simplesmente ou acertou o erro?
Não sei.

Mas sei que me reservo o privilégio de errar como sempre errei, gostaria de não cometer os mesmos erros mas às vezes acontece.
Sou livre para acertar.
Sou livre para errar.
Sou livre de me permitir tudo.
De matar ou de dar vida aos erros.
Sabes o que gosto de trazer dentro de mim bem vivo... os meus acertos.
O maior dos meus acertos: O amor.
É maravilhoso quando acertamos.
Os erros vivem na escrita muitas vezes... Os erros e as dores, acho um erro, e por isso decidi fazer viver na minha escrita também os meus acertos.
Acho que acertei.

Um abraço enorme.
Gosto muito de te ler

Isabel

outubro 15, 2007 4:02 da tarde  
Blogger APC said...

Goldluc: Vigora a lei do silêncio. Não a revogue. Represtiná-la-ei.

Cuote: Até ao acerto final, ou até ao final dos erros?...

Legível: Mas tenho uma alma vasta e umas costas largas.

Tinta: isso presumindo que a verdade não seja um erro, portanto! ;-)

MFC: Entendo que o entendas! :-)
("Compreendi-te" - como diria Vasco Santana).

Maria P: Pois dizem!...

Nes: Em boa verdade, continua a ser um erro inqualificável! ;-)

Vieira Calado: Ah, mas o Algarve é já "aqui ao lado"! :-)

São: UTR... Uma excelente referência. Lembro-me do tempo em que era visita habitual num certo gabinete onde eu trabalhava. Existem ligações comuns, apesar de não termos privado.

Lu: Manda-me lá chamar o homem nocturno, s.f.f.
... Eu espero! ;-)

«Aquilo que eu reconheço como vivo, como imediatamente vivo, é aquilo que reconheço como quente. O calor é a prova por excelência da riqueza e da permanência substanciais; só ele confere um sentido imediato à intensidade de ser. A par da intensidade do fogo íntimo, como são frouxas as outras intensidades inertes, estáticas, sem destino! Não são crescimentos reais. Não cumprem a sua promessa. Não se activam numa chama e numa luz que simbolizem a transcendência.» (In A Psicanálise do Fogo).

Let: Até não mais se distinguir onde começa e onde acaba (e até que ponto o é).

Rui: Ou que tomámos...

Vla: Outras, temos a consciência de ter errado e nem assim aprendemos.

Luis M: São a nossa marca, e as nossas marcas.

Carlos: Em certa medida, podemos decidir o que carregamos às costas! ;-)

Licínia: Fizeste-me lembrar algo que eu dizia sobre o medo, no início deste blog: «A felicidade activa e dinâmica, aquela que se almeja e persegue, talvez surja exactamente com esse "medo bom", se perpetue na batalha que com ele se trava e se comece a extinguir após a sua vitória».
[E, com isto, reparo que dei uma volta completa no carrossel!].
Cara amiga Quitério, volta, que cá te quério! :-P

Tchivinguiro: O erro e a culpa são muitas vezes assumidos quando tal abona a nosso favor (numa de falsa-modéstia, por ex.).

Sininho: nada nos diz tudo de nós. Só um bocadinho. E, ainda assim, somos sempre nós os juízes.

No name: Please don't f* kill me! ;-)

Tinta Permanente: :-)))

Baudolino: Ou somos os erros e mais o resto? :-P

Amaral: Positividade positivista.

Nana: Nós, errantes...

Perdido: E é errar assim, perdidamente.

Gui: Tens a certeza? :-P

Caiê: Isn't it ironic? Don't you think?

Cusco: Pois...

Besnico: Seria errado haver um manual assim! :-)

Alexandre: É mais acertado que eu não comente! :-P Um abraço!

Rabiscos: Obrigada e bem-vinda, Fátima!

Fernanda: Estava no blog do JAB, cliquei num bom comentário, e apareci num bom blog! Não fora isso, e não teria deixado dedadas! :-) Um abraço.

Isabel: Não estamos assim tão distantes, embora à 1ª vista possa parecer! ;-)

Se me permites, repara nisto:

I

Num deserto sem água, numa noite sem lua
Num país sem nome, ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.


(Ausência, Sophia de Mello Breyner Andersen)

II

No vento que lança areia nos vidros
Na água que canta, no fogo mortiço
No calor do leito, nos bancos vazios
Dentro do meu peito estás sempre comigo.


(Barca Negra, Amália Rodrigues)

... Qual destas mulheres terá mais consciência da sua solidão? A que a assume ou a que a ilude?...

Entre o "1" e o "-1" há apenas um zero de distância! :-)

Outro grande abraço.

outubro 17, 2007 10:00 da tarde  
Blogger magarça said...

fazem parte de nós e há que desculpá-los e seguir em frente. Sem repetições, de preferência.

outubro 23, 2007 12:31 da manhã  
Blogger teresamaremar said...

Estou a gostar tanto do que venho lendo, este post, o anterior...
Há algum tempo que "aqui" não passava.. que bom encontrar-te assim.

novembro 13, 2007 3:22 da tarde  

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