domingo, setembro 30, 2007

Quando o vento começa a trazer nele uma mistura de terra húmida com lenha, há qualquer coisa que por dentro se incendeia. E não sei se são memórias, mas só memórias não são. É algo mais. Que não olha ao passado apenas, mas aguarda. Espera que algo chegue do que ainda não chegou.

27 Comments:

Blogger mfc said...

Não esquecemos nada... está tudo registado à espera que a folha seja virada.

outubro 01, 2007 12:33 da manhã  
Blogger Rodrigo Fernandes (ex Rodrigo Rodrigues) said...

É uma espécie de episódio de "petit mal" com um "déjà vu" do futuro? Então é saudade do que poderá não ser. E do que de certo não será mais. O advento precoce do Outono também me deixa assim. É um éter melancólico que me entra no peito, que se me infiltra através do crânio e vai até sabe-se lá onde.

Circula em espirais pequeninas, mas não é fogo. Embora devore tudo o que inflama por onde passa.

outubro 01, 2007 2:03 da manhã  
Blogger Alberto Oliveira said...

é qualquer coisa assim
sem explicação
roda em redor de mim
me toca o coração
quando chegar vou saber
o que farei não suponho
estou apenas a escrever
o que agora é só um sonho.

Se a Escola de Samba "Os Mistérios de Imanjá" quiser aproveitar a letrinha tenho gosto. Me digam na volta do correio, tá?



abraço e sorrisos.

outubro 01, 2007 9:46 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

"O cheiro da terra húmida misturada com lenha". Penso que si que nos incendei interiormente, mas incendeia num lume brando, mas tipo brasido que nos aquece lentamente. "O cheiro da terra húmida, misturada com lenha" traz-nos certamente recordações de sensações passados, mas anuncia idênticas sensações futuras. Um tempo que já foi e que está de novo a chegar. Mas isto já tu disseste. Um beijo grande minha amiga. Já tinha saudades tuas.

outubro 01, 2007 12:59 da tarde  
Blogger Maria Carvalhosa said...

Quando a chuva traz com ela o cheiro a terra molhada, há qualquer coisa que, por dentro, estremece, arrepia e faz chorar.
E não sei se são saudades, mas só saudades não são. Algo mais será, que não se limita ao passado. Que poderá assemelhar-se à ansiedade do que está por chegar.
Uma esperança de algo que,tendo sido algures passado, talvez venha a ter futuro...

Beijos, miga **

outubro 01, 2007 5:21 da tarde  
Blogger mac said...

Este vento outunal traz sempre algo de especial: as castanhas, o cair da folha, as vindimas, 1 cheiro diferente que paira no ar...

outubro 01, 2007 9:59 da tarde  
Blogger Rui said...

Sentada no alpendre, Marinela empurrava-se na cadeira de baloiço e esperava. Godot, pareceu-lhe ouvir. Retirou os olhos de sítio nenhum e procurou à sua volta. Era Francelina que lá vinha, a vizinha.
- Não, não estou à espera dele - respondeu Marinela.
- À espera de quem?
- Não me perguntou se estou à espera de Godot?
- Disparate! Disse-lhe que vossemecê engordou.
Marinela arrastou os olhos para onde de volta a sitio nenhum e suspirou.

outubro 01, 2007 10:46 da tarde  
Blogger Rui said...

(desconfio que falhou alguma coisa no comentário...)

outubro 01, 2007 10:46 da tarde  
Blogger joão marinheiro said...

Assim com cheiros de terra e esperas e tons de luz por fora e por dentro de nós. Hummm, é o Outono minha querida. O Outono que chega outra vez cíclico, sem nos pedir contas. Lá diziam os antigos que são todos sábios e alguns poetas, que “saber esperar é uma grande virtude”.
Esperamos então que o vento, as memórias ou a terra se revele neste Outono morno.

Abraço daqui nas re/descobertas que fazes.

outubro 02, 2007 9:03 da manhã  
Blogger mafalda said...

Ui, esse desassossego que toma conta de nós... pode ser do vento, pode ser do sol, pode ser da chuva ou da neve... pode ser, simplesmente, uma tempestade interior que, projectando-se de dentro para fora, actua sobre os factores climáticos!

Abço.

outubro 02, 2007 8:48 da tarde  
Blogger Mar Arável said...

Que seja o vento

no ciclo das marés

e se tiver de arder que arda

outubro 02, 2007 11:54 da tarde  
Blogger cuotidiano said...

Por ti, para ti, existe sempre um tempo infindo. E lenha. E o sabor húmido da espera.

Beijo

outubro 03, 2007 4:04 da manhã  
Blogger Licínia Quitério said...

É um tempo de espera. E de anúncio de incêndios e de gelos. E de medos também. Por tudo isso, talvez, um tempo fértil.

Um beijo outonal.

outubro 03, 2007 2:40 da tarde  
Blogger Luis Eme said...

É verdade, é quase uma "anunciação"...

Gostei das tuas camuflagens, quase transparentes...

outubro 04, 2007 10:22 da manhã  
Blogger Cusco said...

Olá! Gostei dessa mistura de terra húmida com lenha....

Fiz uma mistura parecida no meu texto " O Cheiro"

Cumprimentos!

outubro 04, 2007 11:25 da manhã  
Blogger Art&Tal said...

vao nascer os cogumelos

o meu castanheiro de vida

tá cheio este ano

das memorias... ficam-me os ouriços e alguas cascas

outubro 04, 2007 1:32 da tarde  
Blogger despertando said...

Quando o vento começa a trazer nele uma mistura de terra húmida com lenha, é altura de trocar os beijos salgados pelos beijos de sabor a chocolate quente.

outubro 04, 2007 3:42 da tarde  
Blogger bettips said...

Memória do futuro?
Devagarinho, aguardamos.
Ou aguardávamos e não era transparente. Bjs

outubro 04, 2007 11:29 da tarde  
Blogger Maria said...

... mas que vai chegar....
de certeza!

;)
Abraço

outubro 04, 2007 11:36 da tarde  
Blogger jorge esteves said...

Há, no cheio da terra molhada, qualquer coisa de atávico, dizem; eu não acho. Mas acho que deve ser a mesma coisa que sinto no cheiro do mar...
(serão os aromas da memória?...)

outubro 05, 2007 9:25 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

E as cores intensas do Outono? Do vermelho carmim ao amarelo fogo? Será esse o fogo? Ou o de dentro?
Beijão, Lu

outubro 08, 2007 1:22 da manhã  
Blogger Leticia Gabian said...

O vento tem por missão o movimento... À sua passagem, nada permanece como estava... Tudo é remexido.
Que os bons ventos te tragam o NOVO, amiga!
Beijo grande

outubro 08, 2007 8:22 da manhã  
Blogger APC said...

MFC: ... É esperança, isso, não é?

Perdido: Saudade do que poderia ter sido...

Seu Legiveu, cê é incorregíveu!

Gui: É... Em fogo lento.

Maria: Essa, o porquê secreto de uma ansiedade silenciosa que faz crepitar velhas braseiras.

Mac: E assim corre a vindima, consoante a época haja sido, ou não, de qualidade.

Rui: ... Espera-se por nada, no fundo. O resto, "o tudo", inventa-se na espera.
(Eu diria que no teu comentário nada falhou).

João: Saber esperar quando é de esperar, agir quando é de agir.

Mafalda: Será chuva, será gente?...

Mar: O que tiver que ser, que seja! :-)

Cuote: A perfeição nas palavras!*

Licínia: Um tempo de espera madura com medos infantis...

Luís: 'Porque são transparências camufladas! :-)

Cusco: "Uma mistura forte de amêndoas amargas com cinza e terra queimada, molhada". (...) "Era o cheiro da morte que de vez em quando lhe recordava o seu destino". - Bonito! :-)

Art: Um castanheiro fértil implica sempre muitas cascas pelo chão.

Despertando: Ou com sabor a beijo!

Bettips: Aguardou-se muito tempo, camuflado.

Maria: Só mesmo o ser humano, para criar certezas no acaso! :-)

Tinta: Vou por aí. Mais como uma aprendizagem. Feita por nós em nós. Feita memória, sim. "Mas só memórias não são"! :-)

Arte: Respondo-te ao fogo (salvo seja) já a seguir, no teu comentário ao post de cima! :-)

Let: Assim sopre o vento, e nos renove!

outubro 10, 2007 1:15 da manhã  
Blogger tchi said...

África será sempre terra de promessa e, simultaneamente, terra de mistério.

Onde as memórias!?

Beijinho.

outubro 11, 2007 11:14 da tarde  
Blogger Caiê said...

Bem, bem, és tu que escreves... :P

outubro 12, 2007 5:39 da tarde  
Blogger jawaa said...

Que bonito. Tão íntimo e tão partilhado ao mesmo tempo.

outubro 15, 2007 9:39 da tarde  
Blogger APC said...

Sabor oculto,
submerso,
.
sabor da terra ainda antes dos olhos,
sabor a nascer, sabor-desejo, antes do beijo, sabor de beijo,
.
ó terra junto a mim, ó grande e estranha terra,
ó perdida proximidade, ó perdida longinquidade,
.
ó sabor antes de mim,
ó quando eu não sabia e tudo em mim sabia,
.
esse sabor bem longe, esse sabor total,
esse sabor onde eu sinto a terra num só gosto,
.
ó único sabor.


(O Único Sabor, António Ramos Rosa - criminosamente "recortado" por mim, tal como se me apresentou à consciência).

PS - ó sabor antes da consciência, antes de tudo...

outubro 21, 2007 11:45 da tarde  

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