sábado, julho 14, 2007

Itálicos

Era num mundo diferente
E havia um pinguim na Antárctida (isso é o mais importante!)
"E agora eu era o herói, e o meu cavalo só falava inglês" :-S
E tu eras uma espécie de surfista prateado
(sem seres surfista, nem prateado, e sem prancha, mas com o resto)
Anti-herói. E tantas vezes génio de saber mexer o tempo.

Estávamos em 2065, ou noutro ano qualquer
E eram horas levadas em palavras
E palavras lavadas em gestos
E camarões-tigre à varanda na tarde quente
E havia gôndolas que passavam,
E nos levavam para outros itálicos
E a descoberta de campos vectoriais aleatórios
Em corpos com penumbras de néon
Lenta e saborosamente
Na terceira nuvem a contar da esquerda
... Talvez um dia eu saiba porquê.

* __ _- ___ * __ _____ * ____ ___ * _--_____ *

PS – Cuote, obrigada pelo itálico e muito mais!

29 Comments:

Blogger Maria Carvalhosa said...

A descodificação dos teus textos é mesmo um desafio ao intelecto dos cadas. De qualquer forma, quem tiver umas "dicas" extra talvez se movimente melhor neste teu universo fabuloso.

Beijos, amiga.

julho 14, 2007 3:09 da manhã  
Blogger joão marinheiro said...

E talvez um dia eu saiba porquê.
De roda de mim, as palavras, a tentar descobrir por dentro o sentido único (será?)
Das ditas luzes que anuncias a enganarem a luminosidade fria do néon.
Ler-te querida amiga, por vezes, pior que a saudade é o labirinto, o quebra-cabeças aonde aporto com o velho navio…

Beijo com abraço misturado de um tempo qualquer.

julho 14, 2007 8:32 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Viajemos então pelos itálicos. Pode ser que eles nos conduzam àquela praia. (àquela praia era para sair em itálico mas não sei mudar as letras...)

julho 14, 2007 10:48 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

ola.
que dizer-te?
que ja perdi uma serie de coisa que andei agora a ler.
beijinhos

julho 15, 2007 8:01 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

De repente... voei! Tens o poder de criar realidades!!
Beijinhos, Lu

julho 15, 2007 5:09 da tarde  
Blogger bettips said...

Pensei em ti, um dia destes, no Solar do Vinho do Porto, a olhar o rio. Exílio do rei de Itália, por falar em itálico.
Sério: parecias-me tu e também rias. Gostava bem de ter visto a tua "brancura"... Bjinho

julho 15, 2007 7:33 da tarde  
Blogger da. said...

..e tudo o que me dizes..vem de um mundo tão diferente...

julho 15, 2007 11:31 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Paguei o tiket do parque do aeroporto e logo a seguir abri uma porta de ferro vermelha que dava para umas escadas frias e sem ninguém, foram trinta segundos destas palavras... Abraço...

julho 15, 2007 11:49 da tarde  
Blogger redonda said...

e este texto fez-me lembrar o tempo em que me perdia em contos de fadas e livros de ficção científica...

julho 16, 2007 1:00 da manhã  
Blogger rui said...

Olá APC

Certo dia chamaste-me a atenção para o blog da Manuela (palavra puxa palavra, lembras-te?
Já lá estive e participei!
Mas não te vi!

Gostei do teu texto, é um mundo diferente, imaginário, fabuloso, cheio de imagens, que percorre o passado e perde-se no espaço...ou no tempo.

Beijo

julho 16, 2007 12:57 da tarde  
Blogger despertando said...

E a tua brancura?
Vim deixar-te um beijo.
Obrigada pelas tuas palavras

julho 16, 2007 4:37 da tarde  
Blogger Maria P. said...

Tu és única.

Bjinho Miga*

julho 16, 2007 4:38 da tarde  
Blogger Rodrigo Fernandes (ex Rodrigo Rodrigues) said...

Para quê contar nuvens se a falta de gravidade as dispersa e multiplica? Pegar pois no tempo e transportá-lo na palavra, palavra purificada em gestos, lenta e saborosamente.

Para onde nos levam as gôndolas talvez se encontre ainda o último pinguim da Antárctida.

Estávamos num ano... que interessa! Passem os relógios a descontar o tempo, ponteiros sinistrógiros a rodar no sentido perverso do tempo, camarões-tigre a ver quem passa em tarde quente, provavelmente a grelhar em tarde quente.

O último pinguim da Antárctida parece um empregado de mesa bem enfarpelado a servir-nos cerveja bem gelada.

Saber porquê vale a pena, diz o Poeta que é por a Alma não ser pequena.

julho 17, 2007 2:58 da manhã  
Blogger Alexandre Lucio Fernandes said...

Isso é um desafio a nós.

Perfeito.

beijos

julho 17, 2007 4:41 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Viajo num tempo em que o sublime é rota segura neste espaço teu. Estamos no ano da graça de 2065, onde o pinguim é senhor dos voos rasantes e onde o gelo se queda submisso ao som das tuas palavras.
Afinal existir o pinguim é o mais importante!
Também eu tenho gosto nos teus quereres!
Beijos desta nave espacial que vai levantando voos helicoidais.

julho 17, 2007 11:51 da manhã  
Blogger Alberto Oliveira said...

Chegou mas esfalfadíssima e entende-se porquê. Fazia sempre uma confusão danada com o posicionamento das nuvens porque a leitura das cartas de navegar aéreas não era com ela. Tudo ao calhas, como estava habituada lá em baixo na terra. Perguntou ao primeiro tipo com asas que viu pela frente onde era o campus da Vectoriais Aleatórios Independente que foi rápido na resposta "Não senhora. Aqui para estes lados só conheço a Curva da Hipérbole Moderna. Mas talvez se apanhar o 28 possa... " O 28?! Mas afinal estava em 2065 ou noutro ano qualquer? "Noutro ano qualquer" -apressou-se a informar o das asas, "mais precisamente em 2007" precisou. E ficou ao corrente do que se passava naquela nuvem onde tinha parado... no tempo. Não eram boas notícias as que ouvia. "E o surfista-prateado-que-não-era-prateado-não-tinha-prancha-mas-tinha-o-resto? conhece-o?". E o seu coração batia descompassado enquanto o asado colocava um dedo na têmpora e enrugava a testa concentrando-se.
"Já me lembro quem é! Vendia pipocas nos cinemas Lusomundo, mas depois cansou-se de tanta fita e agora tem uma loja que só comercializa queijos. Diz que é para se esquecer de uma grande paixão... que o esqueceu."
Felicíssima, ela agradeceu-lhe com um beijo, fez uma festa no pinguim da Antártida que passava na altura e na agência de viagens (cinco nuvens mais acima à direita) pediu duas passagens para Veneza. Não tinha ideia nenhuma porque o fazia...

julho 17, 2007 6:54 da tarde  
Blogger magarça said...

De itálico em itálico, viajamos contigo por um mundo fantástico :) bjs

julho 18, 2007 1:01 da manhã  
Blogger Unknown said...

E podiamos estar num ano qualquer pois a tua escrita é profunda e sentida, quem mais desejaria poder estar um dia contigo e passar o tempo a ouvir te era eu. Beijos com abraços à mistura

julho 18, 2007 11:00 da tarde  
Blogger Maria P. said...

Só tu viste a estrelinha, o único ponto que o meu olhar focou ao clicar.

Vês como és única.:)

Bjinho*

julho 19, 2007 7:15 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

"Em corpos com penumbras de néon
Lenta e saborosamente"

Incrível a sensaçao de te ler. Destaco esta passagem. Porque gosto de sensações na penumbra. E porque me faz bem viajar por momentos e ver o mundo cor de rosa.

Beso

julho 19, 2007 9:25 da tarde  
Blogger António said...

Olá!
E este texto é revolucionário porque foi escrito no dia em que se comemora a Tomada da Bastilha.
(Le catorze Juillet)

Beijos

julho 19, 2007 10:46 da tarde  
Blogger cuotidiano said...

... e o mais engraçado é que ninguém percebeu...


Vivam as gôndolas, morra o Berlusconi!

PS - Obrigado pelo obrigado! (e muito mais)

julho 20, 2007 2:28 da manhã  
Blogger APC said...

Maria: É um universo camuflado... Vem anunciado lá em cima, que eu não tou aqui para enganar ninguém! ;-) Um grande abraço, cara amiga.

João: É tempo nenhum que passa p'la gente, porque quando calhamos a largar âncora ao mesmo tempo, é sempre o tempo de sempre, já viste? :-)))

Luísa: A praia... Onde termina a terra e o mar começa… E se sente o apelo das grandes descobertas…

Leonor: Me too; bute compensar! ;-)

Arte: Não o fiz sozinha... Roubei os itálicos todos! ;-) Um beijinho, minha amiga.

Bettips: Não sabes o quão honrada fico! Mas diz-me: essa que tu viste, rir-se-ia assim por excesso de vinho já? É que era bem possível que fosse eu, numa de beber para esquecer, e que agora não me lembre! ;-) Um grande abraço!

PS - Faltou-me a brancura de espírito, talvez.

Da: :-) & bem-vindo de novo! :-)

Juda: (...) Um abraço sincero, meu caro.

Redonda: Eheheh... Acho que o 2065, os prateados e os néons deram um certo ar cosmonauta e futurista à coisa, mas foi involuntário. Escrevi-o fixada num cálido entardecer veneziano… Nas peles tatuadas p’los reflexos nocturnos que invadem o quarto de hotel… Noutros itálicos! :-)

Rui: Lembro, pois! E fico muito contente que tenhas resolvido participar. Tenho andado um pouco arredia, mas talvez um dia volte. E sim, é mesmo (!) uma história perdida no espaço e no tempo. Abraço.

Despertando: Eheheheh... Nós e as brancuras! Quem nos ouvir julgará que somos anjos! ;-)

Maria:... Cê mi disscuncerrta, pô! :-)

Perdido: É sempre uma delícia ler-te, aqui e ali. Aqui, então, é um luxo! ;-)

Alf: É um desafio para mim também! ;-) Beijos.

Ferrus: É assim que eu gosto de te ver! ;-)
Abraço especial, moço!***

Legível: Pois é... O surfista foi comer queijo para esquecer, e eu fui fazer o mesmo com o Vinho do Porto, imagina!... E, pelos vistos, fui apanhada em flagrante (não delito, mas de litro mesmo) pela Bettips! :-S Com isso, nem comprei as passagens, acreditas? Sim, que as cheguei a pedir - tens toda a razão - mas fiquei a saber que, nisso de viagens, não basta pedires... Tens que as pagar! :-S
Enfim... Sabes, por acaso, se o 28 passa por lá?


Magarça: Se me dás a honra de embarcar, fantástico é! :-)

Sininho: Obrigada por essas palavras tão queridas! Seria sempre um prazer recíproco.
Um grande, grande abraço para ti.

Maria: Ná... É porque eu também tenho estrelinhas secretas por aqui! ;-)

Nes: Destacaste o meu destaque!... O que de mais intenso tentei fazer passar discretamente, salvaguardando. Tu és assim! ;-)

António: Lol, só tu! Boas férias, camarada! :-)

Cuote: É... É engraçado! ;-)))

julho 20, 2007 4:46 da manhã  
Blogger Unknown said...

"... horas levadas em palavras
E palavras lavadas em gestos...

Que momento lindo... que momento... levado da breca!
Só tu camuflas assim...
Beijo... a itálico... e a negrito.

julho 20, 2007 6:22 da tarde  
Blogger mafalda said...

Olá APC,
Fiquei "passada" com o teu comentário no meu cantinho (muito contente e um bocadinho vaidosa, é verdade, pelas elogiosas palavras com que te referes ao meu embrionário blogue... exageraste... estavas num dia de muito boa vontade, amiga... feliz por qualquer razão e a boa da Mafalda é que ficou a ganhar com o teu estado de espírito!...) (risos). Estou por fora. Respondi ao chamamento e agora passeio-me, sorvendo cada segundo, em terras da Irlanda. Verdaeiramente fascinada pelas maravilhas que a ilha verde me oferece, amaldiçoo-me pela porcaria de máquina fotográfica que tenho e pela minha diminuta arte para fotografar. Ms cá estou. E não desisto de ir registando esta ou aquela passagem... afinal, daqui a uns anitos, o ahlzeimer ou a esclerose podem atacar e umas "pelingrafias" sempre podem ajudar a avivar a memória...
Gosto do que escreves, amiga, mas tenho que te confessar que fico perdida... nesse universo de cifras, códigos, simbologias que desconheço (mas que, desconfio bem, alguém não terá dificuldade em decifrar. E é para esse(s), que te "lê(em)" MESMO que tu escreves, né?)

Beijinhos e até breve.

julho 21, 2007 3:12 da manhã  
Blogger inominável said...

precisam-se de mais anti-heróis: está provado que os outro são pouco heróicos...

julho 21, 2007 12:37 da tarde  
Blogger Caiê said...

Textos crípticos são muito mais interessantes... :)

julho 25, 2007 12:46 da manhã  
Blogger Caiê said...

Um dia dediquei essa música a alguém. E ele partiu para o Norte. Pronto, sobre este post não digo nem mais um soluço. Chuif.

julho 29, 2007 7:55 da tarde  
Blogger APC said...

:-)))

setembro 04, 2007 4:02 da manhã  

Publicar um comentário

<< Home

Desde Fevereiro de 2007