sábado, julho 22, 2006

1. Gostar pelo que se é

“A maioria das pessoas, mesmo que não saiba bem porquê, defende uma estética de semelhança. Acha que as relações devem ser mais simétricas que complementares e torce o nariz a casamentos mistos. Sejam de etnias, religiões, de idades, de grupo social ou económico. O que quer dizer que, na prática, a maioria das pessoas, alegue que razões alegar, é conservadora e prefere o que é esperado, o que mantenha tudo como estava, o que não modifica as relações intergrupos e interclasses.”

Nota: a este respeito, incluo aqui parte de um escrito meu, iniciado há uns meses e ainda inconcluso:

Tenho para comigo que as "igualdades" são perversas, engodo que distrai as partes, ao camuflar tantas e tão gritantes diferenças…
Na “diferença”, qualquer que ela seja (i.e., na união voluntária em que ela se verifique), os elementos que a perfazem sabem-no, escolhem-no, gozam-no.
"Menino e menina da mesma idade conhecem-se, namoram-se, acabam os seus cursos, casam, mobilam os lares, têm filhos, lutam pelas suas carreiras, sobrevivem na rotina dos casais sem tempo para si nem para o outro" - isto diz-vos alguma coisa?...
E nisso demoram-se a dar-se conta de quem são, de que o projecto é oco, de que não se complementam, de que aquilo que os segura é o hábito, de que lhes resta viver para dentro de si.
Crescerão diferentemente, mais que todos, sem que isso se previsse e, com um pouco de "sorte", sem que alguma vez se veja ou assuma.

8 Comments:

Blogger Luisa said...

Muito interessante este tema. Perguntam-se as pessoas muitas vezes se é melhor escolher um par igual ou desigual. Tenho visto de tudo. Amigos de infância de que resultam casamentos óptimos e pessoas de meios completamente diferentes que também se dão muito bem. Haverá regras para isto? Talvez porque no fundo não há pessoas iguais e aquilo que se julgava ser igual aparece diferente. Uma lotaria, como diz o povo?

julho 22, 2006 8:24 da tarde  
Blogger Unknown said...

O teu texto diz tudo, nada mais a acrescentar

julho 23, 2006 12:05 da manhã  
Blogger Luisa said...

Quando tiveres tempo vai ao meu blog. Espero que tenhas sentido de humor...porque fiz este post a pensar em ti...

julho 23, 2006 12:37 da manhã  
Blogger nes said...

Descreves com excelência o recente casamento de um grande amigo meu... tenho vontade de o mandar ler este post mas, cada um é responsável pelas suas escolhas, ainda que aos olhos dos outros sejam erros, ou mesmo aprendizagens.

Beso

julho 23, 2006 1:21 da manhã  
Blogger Cláudia Cunha said...

Infelizmente, não posso afirmar que sou uma mulher que foge a essa procura "estética da semelhança" porque isso não seria verdade... :-(

Mas também sei que o amor surge sem contarmos... E ele pode vir camuflado por uma etnia, cor, ou até mesmo religião e apanhar-me despercebida... Afinal, a vida adora ensinar-nos. ;-*

julho 23, 2006 10:10 da tarde  
Blogger APC said...

Luisinha, olha a minha cabeça: fui, li, apreciei (é uma pérola, lol), comentei e, pelo meio, esqueci... De agradecer!... A tua lembrança :-)))

julho 23, 2006 11:02 da tarde  
Blogger * said...

"tenho para comigo" que ler a caras afinal tem muito que se lhe diga

julho 30, 2006 2:51 da tarde  
Blogger APC said...

Eheheheh, Mónica :-) Mas sabes que eu acho que o atenuar da clivagem entre os que se dedicam a pensar os pensamentos e os sentimentos e aqueles que preferem ler sobre a vida dos outros que nada lhes são, se faz assim mesmo: injectando pequenas doses de medicamento na bebida que aliena os últimos?
Não sei, acho que é giro ("sei lá!";-)
1 jinho*

agosto 07, 2006 12:43 da manhã  

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