5. Dependências e autonomias
“Um dos conflitos que toda a gente experimenta na própria vida é aquele que se polariza em torno de dois conceitos que podemos designar como de dependência e de autonomia.
Tal como as crianças pequenas que, por um lado, vivem e desejam permanecer na periferia de mães protectoras e securizantes e, por outro, querem, cheias de curiosidade, explorar o meio circundante, nós, adultos, balanceamos constantemente.
(…) São dependentes os homens e as mulheres que constroem a própria vida sem sequer ter a noção dessa construção. Pessoas que, em função dos pais, dos filhos, dos maridos ou das mulheres, concebem o mundo numa estranha confusão de identidades. (…)
É preciso conviver com os desejos súbitos de mudar de vida, não ter responsabilidades e pensar apenas em si próprio, como é preciso conviver com a angústia da perda ou do afastamento dos que são significativos. É preciso umas vezes ceder outras impor, umas vezes fugir outras ficar. (…) Somos e devemos ser às vezes dependentes, às vezes autónomos. É, de resto, da plasticidade dessas combinações que decorre o prazer com que os outros estão connosco e nós com eles.
Ainda assim, tirando aqueles poucos que eliminaram o conflito instalando-se num dos pólos, é destino dos homens desejar, hesitar e ter dúvidas. Naturalmente".
Tal como as crianças pequenas que, por um lado, vivem e desejam permanecer na periferia de mães protectoras e securizantes e, por outro, querem, cheias de curiosidade, explorar o meio circundante, nós, adultos, balanceamos constantemente.
(…) São dependentes os homens e as mulheres que constroem a própria vida sem sequer ter a noção dessa construção. Pessoas que, em função dos pais, dos filhos, dos maridos ou das mulheres, concebem o mundo numa estranha confusão de identidades. (…)
É preciso conviver com os desejos súbitos de mudar de vida, não ter responsabilidades e pensar apenas em si próprio, como é preciso conviver com a angústia da perda ou do afastamento dos que são significativos. É preciso umas vezes ceder outras impor, umas vezes fugir outras ficar. (…) Somos e devemos ser às vezes dependentes, às vezes autónomos. É, de resto, da plasticidade dessas combinações que decorre o prazer com que os outros estão connosco e nós com eles.
Ainda assim, tirando aqueles poucos que eliminaram o conflito instalando-se num dos pólos, é destino dos homens desejar, hesitar e ter dúvidas. Naturalmente".
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6 Comments:
De facto este texto diz tudo, n tenho mais nada a acrescentar, eu sou mais pelo lado da autonomia, sempre, embora n seja sempre fácil
O equilíbrio é um conceito naturalmente difícil mas, quem vive de forma serena, acaba por se encontrar com ele, onde menos espera, quando menos quer...
A autonomia e a dependência qb, são a essência desse mesmo equilíbrio...
Beso
Sem dúvida que todos temos de passar por todo o tipo de provações para hoje sabermos dosear de forma inteligente, esse "estar" e "não estar"...
Já viste que nada é possível passar ao próximo em teoria pura e absoluta?
Em que sentido o dizes, Claúdia?
O que me ocorreu ao ler este texto foi que o ser humano é impotente de aprender apenas com a teoria, tem de a vivenciar na prática.
O que quero dizer, essencialmente, é que tudo isto é tão verdade!, mas ainda assim, cada um de nós tem de descobrir por si próprio - através das suas alegrias e tristezas, dessa vontade de partir e de ficar, desse estar e não estar - através da sua experiência, onde reside o ponto ideal, essa "plasticidade" que faz com que "dessas combinações" decorra "o prazer com que os outros estão connosco e nós com eles."...
Expliquei-me melhor?... Sempre posso atribuir as culpas ao cansaço e à hora que começa a fazer-se tardia...
Explicaste-te muitíssimo bem! :-)
E sim, em bom rigor, e depois de tudo pensado, dito ou escrito, a verdade é que tudo "depende" [e nada o é em absoluto, como dizias] quando lidamos com as emoções (e o texto da IB, ele próprio, deixa essa mensagem no ar).
Leva um beijo meu a essa cidade, e faz o favor de ter uma excelente semana! :-)))
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