sábado, julho 22, 2006

4. Enamoramentos (in)oportunos

“Há pessoas que adoram apaixonar-se (…). Mas também há os que detestam envolver-se. Que sentem qualquer paixão como um perigo iminente de desagregação ou de vida. Que temem perder o controlo, fazer e dizer coisas que não são nem supostas nem desejáveis. Isto além de, obviamente, detestarem sentir a terrível angústia de perda antecipada do seu objecto de amor ou o terror mais ou menos encapotado de deixarem de ser quem são e como são, pela existência de um outro que lhe pede coisas e tem expectativas.
(…) Apaixonamo-nos quando somos capazes, quero dizer, quando encontramos um objecto ou um sujeito que sirva bem o nosso desejo. Para que isso aconteça, é necessário que estejamos afectivamente disponíveis, mesmo que racionalmente não seja assim, e que o enamoramento acarte uma certa quantidade e qualidade de sentido capaz de nos mover.
Julga-se que o movimento é sempre em direcção ao objecto desejável, mas de facto não é. Às vezes, o outro é uma mera referência que está lá, distante e intocável, mas que serve, ainda assim, para nos investirmos, a nós, e nos disciplinarmos a ser mais parecidos com o que gostaríamos de ser.
Como estratégia de mudança, pode parecer complicado, mas lá que é eficaz, não duvidem”.

6 Comments:

Blogger Luisa said...

É um ponto de vista interesante. Não tinha pensado na situação desta maneira.

julho 22, 2006 9:46 da tarde  
Blogger Sininho said...

"No enamoramento, a pessoa mais simples e destituída é obrigada, para se exprimir,a usar a linguagem da poesia, da sacralidade e do mito. Dá vontade de rir, mas é assim..." Francesco Alberoni.
São pontos de vista k conduzem ao mesmo, ou não?

julho 22, 2006 11:56 da tarde  
Blogger Nes said...

Pois eu adoro apaixonar-me, envolver-me e tudo e tudo... mas não vejo a paixão desta forma, como "um objecto ou um sujeito que sirva bem o nosso desejo".

Se pudessemos escolher não seríamos prisioneiros da insegurança, do receio da entrega, dos famosos "e se?".

É uma questão de pele, de um conjunto de sensações que o outro desperta, das loucuras que repentinamente temos vontade de cometer... nunca um objecto desejável que serve a minha estratégia de mudança.

Mas sou uma romântica, por isso, deixa lá...!

Beso

julho 23, 2006 1:11 da manhã  
Blogger APC said...

Sininho: leva-nos a isto, àquilo e a tudo, o amor! :-)

Nes: também hesitei ante o "servir do desejo"; pareceu-me rude à leitura, mas, reflectindo, até que não deixa de ser verdade: trata-se de encontrar aquele alguém que desejamos, ou seja, o único capaz de satisfazer (daí o "servir" o nosso desejo).

Já quanto ao "objecto", isso sei que "parece mal", porque é gíria de uma tendência da psicologia (em que se fala de "relação de objecto", mas em que esses são "objectos de amor" - na verdade, a definição vulgar de "objecto" é: "tudo o que afecta os nossos sentidos ou o nosso espírito"). Mas também acho que a autora se esqueceu, por momentos, que nem toda a gente usa este tipo de vocabulário.

Pelo que, acrescenta aí mais uma romântica! :-)

julho 23, 2006 6:07 da manhã  
Blogger Cláudia Cunha said...

Sinto que muitas vezes não estou afectivamente disponível. E isso é uma decisão consciente. A paixão e/ou o amor traz uma boa dose de perda de controlo que muitas das vezes é inoportuna quando necessitamos de canalizar essa energia para outras áreas da nossa vida. Enfim... Isto tende a passar-me! ;-)

(Sim!, porque na verdade nunca virei costas a um potencial grande amor)
:-DD

julho 23, 2006 10:30 da tarde  
Blogger APC said...

Hum... Se conseguiste pensar, planear, controlar, evitar... É porque "não era"... Não era para lá do tanto... Não era "Aquilo" ;-)
(Isto, eu a dizer, né?:-!)

julho 23, 2006 10:41 da tarde  

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