3. Uniões e Separações
“Mesmo que o fim das relações seja pacífico e não se transforme em litígio com muita roupa suja, fica sempre o desconforto do falhanço pessoal.
Mas se as pessoas se separam é porque um dia se uniram. E, embora se fale menos das uniões do que das separações, não parece haver razões para pensar que sejam menos complexas.
Ao contrário do que se gostaria de acreditar, as pessoas unem-se por muitas e diferentes razões.
Num tempo em que se defende como princípio o direito de toda a gente à felicidade e ao bem-estar, parece uma expectativa legítima que todos possam encontrar alguém que amem e por quem possam ser amados. Verifica-se, entretanto, que não é bem assim. Que a felicidade trazida de bandeja por um outro, príncipe ou princesa, é improvável.
(…) Assim sendo, quero dizer, unindo-se as pessoas como podem e sabem, é pelo menos compreensível que algumas uniões nunca passem de reuniões, outras descambem rapidamente para desuniões e outras ainda se transformem em relações instáveis, insatisfatórias ou frustrantes.
Parece mesmo mais ajustado não matar a cabeça à procura das razões das separações sem antes perceber o funcionamento das anteriores uniões.”
Mas se as pessoas se separam é porque um dia se uniram. E, embora se fale menos das uniões do que das separações, não parece haver razões para pensar que sejam menos complexas.
Ao contrário do que se gostaria de acreditar, as pessoas unem-se por muitas e diferentes razões.
Num tempo em que se defende como princípio o direito de toda a gente à felicidade e ao bem-estar, parece uma expectativa legítima que todos possam encontrar alguém que amem e por quem possam ser amados. Verifica-se, entretanto, que não é bem assim. Que a felicidade trazida de bandeja por um outro, príncipe ou princesa, é improvável.
(…) Assim sendo, quero dizer, unindo-se as pessoas como podem e sabem, é pelo menos compreensível que algumas uniões nunca passem de reuniões, outras descambem rapidamente para desuniões e outras ainda se transformem em relações instáveis, insatisfatórias ou frustrantes.
Parece mesmo mais ajustado não matar a cabeça à procura das razões das separações sem antes perceber o funcionamento das anteriores uniões.”
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9 Comments:
É isso: as pessoas não preparam a sua união; às vezes unem-se sem terem nada em comum a não ser uma atração de momento. Uma união bem preparada não é natural que chegue ao fim. Será?
Será?...
Residirá na preparação a felicidade? Poderá a felicidade ser preparada?
Ou deveremos nós estar preparados para aceitar as uniões que, como, quando e enquanto essas satisfizerem a nós e a quem queremos, em simultâneo e reciprocamente, representando então isso uma união feliz, que ninguém sabe quando acontecerá, como decorrerá e até quando durará?...
... Porque não podemos saber!
Mas podemos ter a coragem de perguntar se, e reconhecer que somos, ou não somos, felizes a cada momento.
PS - Até a união baseada na atracção do momento pode ser a atracção "perfeita", naquele momento!;-)
APc. Não gosto de felicidades de momento. Quero uma felicidade que dure muito, muito, muito
Sei!...
:-)
... Sei!
:-)
Mesmo!:-)
"Parece mesmo mais ajustado não matar a cabeça à procura das razões das separações sem antes perceber o funcionamento das anteriores uniões.”
Aki reside tudo, APC esta frase penso k no meu ponto de vista é a mais segura e real, se eu escolho uma relação ou procuro e não faço o "luto" da anterior então estou a tapar um "buraco" com outro "buraco". Será?
O que está unido verdadeiramente é inseparável...
(Bom, podíamos agora definir união, mas julgo que isso não interessa nada - já percebeste que ainda acredito nos contos de fadas!)
Beso
Sininho, pois será! :-)
E também se reduziria o circo de uma separação se ambos os intervenientes conseguissem assumir, para si e para o outro, que o que levou à união já não chega (ou nunca chegou), por ex.
Isso em teoria, claro!
Mas a teoria é feita de razões e o amor (espera-se!) de emoções.
:-)
Nes, eu faço sempre a ressalva: "... Enquanto'!".
Agora, se queremos que dure para sempre e, dia-após-dia, quem queremos para sempre ainda nos quer para sempre, então isso é do mais feliz que podemos ter.
...Enquanto'!
;-)
Bem, isto hoje são só verdades que nos deixam de queixo caído... Eu assisto muito a essas "reuniões" e eu própria já "caí" nessa armadilha. E "caí" está entre aspas porque na verdade não "caí" mas sim me "elevei"... Ou seja, aprendi muito com essa experiência e isso é positivo de forma imensurável... ;-***
Porque os outros se mascaram mas tu não
(...)
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não
("Porque" - Sophia de mello Breyner Andresen)
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