Isso não se faz!
Foto gentilmente emprestada pelo S., do Fotoescrita!
Quem ainda não conhece este blog, não sabe o que perde, com S. a partilhar magníficas fotos provindas do seu irresistível Diafragma e M. (também ela exímia captadora de imagens e promotora do Palavra Puxa Palavra) a comentá-las com a sua sensibilidade... Muito rico!

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11 Comments:
Era a nossa casa
Era a nossa casa. Sim, disse “nossa” de propósito, apesar de tu nunca lá teres morado, onde só foste uma vez, por breves minutos. A mesma que eu quis. Melhor - que eu para ti fiz, passo a passo, pedra a pedra, no meio das árvores, “longe de tudo menos de nós”, como me havias dito num dia que foi noite, numa noite que foi nossa. A mesma casa que eu fiz, de respiração presa à espera dos pássaros que te chamavam cantando, à espera do teu olhar que julguei meu, daquele teu sorriso inexplicável que te rasgava os olhos enquanto suspendia do tempo todos os sons, todos os temporais, todos os medos, todas as esperas – sim, também então o tempo era teu.
Depois escolhi cores, mobílias. Depois escolhi toalhas e talheres e pratos e mais pratos e copos. Depois, à última da hora, lembrei-te mais um pouco e comprei também aquele quadro que namoravas há muito. Depois, apressadamente porque estavas quase a chegar, espalhei pedaços da nossa vida pela casa, como pétalas disfarçadas de bibelôs. E no último minuto, ainda consegui arranjar tempo para escolher uma camisa azul que tu me havias dado (hoje está catalogada de foleira, apodrecendo no meu armário).
Então chegaste. Olhaste à volta, provavelmente achaste o meu gosto foleiro mas, educadamente, nada disseste – mas eu ouvi. Esperei um beijo, tocou teu telefone – tinhas de ir, qualquer emergência que se calhar não o era, mas que achaste importante atender. Nada perguntei, não mais lá voltaste. Algum tempo depois, eu próprio também me vim embora - faltavas lá, faltavas-me apenas.
Cataloguei-te de “grande amor da minha vida” e todas as noites te relembro. Catalogaste-me de foleiro e apodreço no teu armário, longe da memória, dos afectos e dos lugares.
Entretanto, as árvores cresceram e tomaram a casa como sua - seus ramos abraçaram-na, suas folhas mobilaram-na e, com a ajuda dos Invernos, decoraram-na Hoje, carrego em mim árvores desesperadas carregadas de ramos desesperados à procura de ti, como uma casa para abraçar. No entanto, e passadas as palavras, a verdade é que apenas vou apodrecendo no armário de ninguém.
Concordo e aconselho vivamente o clik :)
um abraço grande para ti **
Abandono. Falta de cuidado. Descaso.
Sem dúvida, isso não se faz!
Beijo
Excelente fotografia. Um bom feriado e um beijinho.
É a modos que uma porta da rendição... das estações. Por um dos portais acabou de sair o Verão, pelo outro penetrou o Outono.
Óptimo feriado! :-)
Belíssima foto!
Beijo
Ah, cá está ela! Fica bem na sequência das outras tuas duas portas.
E obrigada pelas palavras que aqui nos deixas.
M
De toda a Trilogia, o meu texto/foto favorito é o Closed!
Uma delícia de ironia.
Fantástico!
Às portas do Outono.
Bjinho.
excelente foto e tudo o que transmite
jocas maradas de tempo
Cuoditiano: brilhante, meu caro! Fico feliz por teres iniciado aqui um post teu! (deja vu?;-)
Estranha: o clik e o bumm, que isto foi uma invasão! ;-)
Letícia: bom, agora que falas nisso...! ;-)
Legível: é a modos que', é! ;-)
Fotoescrita e Diafragma: obrigada eu, por me inpirarem com as vossas magníficas imagens, sempre no foco! ;-)
E vocês ouviram o que disseram o Mamito, a Papoila e a Su?...
:-)))
Maria: uma nova estação nesta viagem...
A todos: o comentário do Cuotidiano virou post no seu blog, na mesma data!
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