sexta-feira, abril 13, 2007

O Camuflagens

Adormecendo, procura como que
uma folha perdida, branca.
Como se a vida fosse lisa
respira um sono à beira de água.

Acordá-lo seria destruí-lo.

Agora ele é o bafo da folhagem,
uma pedra sem arestas e sem nome,
um campo de murmúrios,
um começo infinito.

(António Ramos Rosa, in a Nuvem Sobre a Página, 1978)

16 Comments:

Blogger nes said...

É parte de um aperto especial que reside no coração esperançado de poder sentir as sensações de outrora.

Espaço divino que merece a mais terna e profunda contemplação.

Beso minha linda

abril 16, 2007 9:33 da tarde  
Blogger Maria said...

O camuflagens pode ser isso tudo que dizes, mas é também, e ainda, um espaço onde venho frequentemente, na esperança de ver coisas novas...

Quando não há, releio as antigas...

Um beijo sincero

abril 17, 2007 1:50 da manhã  
Blogger Maria P. said...

Adormeceu, mas a sua existência não se esquece.

Beijoca Miga*

abril 17, 2007 4:14 da tarde  
Blogger JPD said...

OLá APC

Veremos se se confirma a tua retoma de edição com a regularidade que mais te convier.

Para já foi muito agradável a leitura deste poema de ARR

Bjs

abril 17, 2007 11:04 da tarde  
Anonymous Juda said...

Venho de ligeirinho para ver se existem novidades, já li, agora vou com todo o cuidado e olho o chão não vá fazer barulho, não quero incomodar, deixo um abraço á porta.

abril 18, 2007 1:38 da manhã  
Blogger art&tal said...

qual delas?

hummmmmmm!

abril 21, 2007 5:56 da manhã  
Blogger daniel sant'iago said...

Mas quem me manda a mim pensar que já (não) estavas camuflada...
Afinal... um sono com insónias.
Beijo surpreendido!

abril 21, 2007 1:18 da tarde  
Anonymous Luisa said...

Haverá folhas lisas??? É que há sempre nelas uma ruga ou outra...
Há muito que não vinha aqui mas tenho visto os teus comentários no PPP. Sobre os jardins dos meus vizinhos, aquele que tem um poço, já foi em tempos moradia de família. Depois foi vendida e lá se instalou a Embaixada turca. Agora é simplesmente a sede das Pousadas de Portugal. O poço e o jardim estão muito abandonados. Função pública....

abril 21, 2007 10:28 da tarde  
Blogger mixtu said...

talvez não, acredito no acordar
yayaya

abrazo

abril 22, 2007 12:45 da manhã  
Blogger bettips said...

Como conheço esse riso camuflado atrás de uma mão! Habituei-me a vê-lo/lê-lo por aí. Uma secreta ironia, um amigo afago...Deixo-te um abraço, para que pelo menos apareças, lá onde o círculo se une em provocadas imagens.

abril 22, 2007 1:13 da manhã  
Blogger art&tal said...

sempre volto ao meu lugar

abril 24, 2007 7:49 da manhã  
Blogger António said...

Olá, minha querida!
Tens andado muito afastada deste teu blog.
Pouco ou nada tens postado.
Eu percebo!
Há coisas mais urgentes e importantes a fazer.
Por isso mais valor tem a visita e comentário que me fizeste.
Obrigado por isso.
Desejo tudo de bom para ti.

Beijos meus

abril 24, 2007 9:32 da manhã  
Blogger Caiê said...

Então, voltaste, e não avisavas a malta? Ou eu estava distraída???

abril 25, 2007 2:35 da manhã  
Blogger Maria said...

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

Um beijo, num cravo vermelho

abril 25, 2007 3:04 da manhã  
Blogger raspvtiiyn said...

Adolfo Casais Monteiro tb andou às voltas sem saber o que fazer com este poema. Depois saiu isto ;)



Madrugada

Ah! Este poema das madrugadas,
que há tanto tempo enrodilhado
num sem-fim de estados de alma
me obcecava, tirânico,
sem se deixar fixar! ...

Madrugada... e esta solidão crescendo,
esta nostalgia maior, e maior, e maior,
de não se sabe o quê
— nunca se sabe o quê...
que haverá nestas horas sozinhas e geladas,
para assim trazer à tona as indefinidas mágoas,
as saudades e as ânsias sem motivo
— de que não sabemos o motivo?...

Vieram as saudades do tempo de menino
— ou dum paraíso lá não sei onde?
Ah! que fantasmas pesaram sobre os ombros,
que sombras desceram sobre os olhos,
que tristeza maior fez maior o silêncio?
A que vem esse calor distante e absorto,
esse calar, esses modos distraídos?
Meu pobre sonhador! a esta hora
porventura se desvenda a Suprema Inutilidade?
e a definitiva ilusão de tantos gestos?

Interroga, interroga...
vai sonhando,
sem que saibas sequer o caminho que segues
vai, distraído e pensativo,
alheio de hoje,
vivendo já o derradeiro segundo...

Que a madrugada tem o pungir das agonias,
mas alheio, como o fim dum pesadelo...


ânimo...

maio 01, 2007 7:41 da manhã  
Blogger Morgana said...

O poema é muito bonito.A escolha que fazes das imagens também.
Um abraço
Morgana

maio 13, 2007 9:03 da tarde  

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